sábado, 27 de dezembro de 2014

Mudança.

Cansei.
Vou mudar o miolo,
e deixar de procurar consolo,
passar a enxergar os próprios e reais motivos,
procurar elementos vivos,
e fatos reais,
cancelar ser de menos e tornar-me demais,
demais pra quem não merece,
demais pra quem sempre me esquece,
e me deixa,
sempre sozinha,
correndo atrás.
É preciso tornar-me capaz,
de enxergar as aparências,
e conhecer as essências,
das vis mentes e agouros,
máscaras em bonitos rostos e falsos tesouros,
sentimentos tortos,
recheados de segundas intenções,
e maldade nos corações.
Serão mínimas as ações,
invisíveis, de troca,
imperceptíveis aos olhos mais atentos,
pois a melhor mudança,
ainda é aquela que vem de dentro,
num ato sincero de sentimento.

[Fique atento...]

c.t.

domingo, 21 de dezembro de 2014

(Meu) fim.

Por vezes me perguntando,
por outras imaginando,
quando e como será minha morte.
Pode ser por falta de equilíbrio,
que eu caia num buraco,
ou temendo tanto a morte,
me sufoque dentro de um quarto.
Pode ser esmagamento,
ou por queda na ladeira,
um passo em falso num momento,
e em seguida, falecimento.
Pode ser falta de ar,
pode ser em alto mar,
em uma tarde de verão,
que haja uma simples explosão,
da minha embarcação.
Pode ser por indecisão,
pulo do penhasco ou não?
Pode ser por acidente,
das tragédias de avião.
Pode ser de dor de dente,
ou de dor no coração.
Pode ser de sentimento,
carência ou depressão.
Pode ser de tiro ou faca,
e pode ser de gente,
pois gente também mata,
muito mais que se imagina.
Pode ser que eu seja assaltada,
virando na próxima esquina.
Pode ser que me magoem tanto,
que não suporte minha triste sina.
Pode ser de doença,
ou até de velhice,
considero a pior morte a da mesmisse,
e que triste partida,
é a morte que acontece em vida.
Mas pode ser que eu me sufoque,
que com corda eu me enforque,
ou com frequência eu me estresse,
e nada mais me importe.
Pode ser afogamento,
ou cair no esquecimento,
talvez até ser merecimento,
pode ser que em algum momento,
simplesmente chegue a morte,
e me leve como um vento.
Pode ser dormindo,
pode ser assistindo,
pode ser caminhando,
pode ser lamentando,
pode até ser me esquivando,
do meu próprio fim.
Ou talvez eu tenha a sorte de que o próprio mundo se acabe antes de mim.

c.t.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Interrogação.

Pensando.
Na madrugada,
solitária,
me questionando.
Porque não fui,
por quê não sou,
por quê não serei.
Será que não fui, porquê não era?
Será que não sou, por quê não é pra ser?
Será que nunca serei, por quê não sou?
O que será?
O que há de haver?
Nesse passado que nunca aconteceu,
nesse presente tão turbulento,
e nesse futuro que tanto sonho e que talvez nunca aconteça?
Não fui,
não sou,
não serei?
Não sei.

c.t.

domingo, 23 de novembro de 2014

Confusão mental.

Sinto-me inchar, entupir,
sinto-me para desmaiar,
tentando abstrair.
Abstrair-me de mim,
tentando pôr fim,
em histórias sem nexo.
Contemplando interior, assim,
num emaranhado complexo.
É um, mas também são outros,
é um que se acaba em outros,
é cada um e tantos outros,
todos, dentro de mim...
(...)
Pirei!
Deu confusão mental.
Estou perdida no poema...
Igual na vida real.

c.t.

Anestesia.

Vácuo.
Vazio.
Abster-me de calor e frio.
Nada de alento.
Foi-se o sentimento.
Nem um milímetro de arrepio.
Quando penso, nada penso.
Prefiro até nem pensar.
O gosto amargo,
do resto do afago,
com enjôo do cheiro,
me faz delirar.
Quando penso que há,
vejo que nada mais.
Nem sol, nem alegria,
nem guerra, nem paz.
É lá,
na tristeza de um mundo vazio,
que nosso amor jaz.

c.t.

Saber do dia-a-dia.

A gente vive todo dia pra aprender que as pessoas não são exatamente como a gente pensa... E que idealizá-las só aumenta ainda mais a nossa decepção.
A gente vive todo dia pra aprender que as pessoas vão passar por cima da gente, sem dó nem piedade, falhas de bondade e ruins de coração.
A gente vive todo dia pra aprender que as pessoas não se importam com os nossos sentimentos e vão nos manipular, nos enganar e nos maldizer em prol de razões tão mesquinhas.
A gente vive todo dia pra aprender que apesar de querermos tão bem ao próximo e esperar um pouco de reciprocidade, as expectativas correspondidas nunca serão iguais ou melhores que as minhas.
A gente vive todo dia pra aprender que algumas pessoas não são verdadeiras no que sentem e no que dizem e com toda a certeza irão te iludir.
A gente vive todo dia pra aprender que certas pessoas são tão egoístas ao ponto de te prenderem sem nenhum afeto e nunca te deixar partir.
A gente vive todo dia pra aprender a inverter prioridades, procurar sinceras verdades, harmonia e simplicidade.
A gente vive todo dia pra aprender a deixar de compreender as razões e finalmente nivelar as importâncias.


c.t.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ser mulher.

Ser mulher é ser fogo, desejo, ter chama no olhar.
Enfeitiçar num instante,
ser charme, encanto, beleza,
interior ou exterior,
é só querer, e conseguirá.
Ser mulher é saber dosar,
o batom, o tamanho da roupa,
a intensidade do olhar,
a mão no cabelo na hora certa,
a cruzada de perna na hora exata,
o sorriso que mata de amores aquele que a mirar.
Ser mulher é ser fatal,
mas na hora certa ser carinhosa,
por vezes ser segura, outras perigosa,
ser mulher é arriscar, sem medo de errar,
para ter aquilo que se gosta.
Ser mulher é se entregar de corpo e alma ao sentimento,
ser intensidade em cada momento,
ser mulher é usar salto alto e ter passos firmes,
e ao mesmo tempo ter leveza ao caminhar.
Ser mulher é ser leoa,
é brigar por cada conquista,
matar pela sua cria,
enfrentar os desafios sufocantes do dia-a-dia,
sem amolecer, nem entristecer, nem desanimar.
Ser mulher é uma dádiva.
É ser uma deusa de verdade.
Mulher: símbolo único de infinita divindade.

c.t.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Que poeta sou eu?

Existem os poetas da alegria,
e os poetas da agonia.
Os poetas da dor e os da felicidade,
os poetas da mentira e os da verdade,
os que falam da bondade,
os que falam da maldade,
uns que falam da velhice,
outros da jovialidade.
E eu?
Que poeta sou eu?
Do que falo?
O que sinto?
Do que é feita minha energia?
Assumo, desmascaradamente:
sou a poeta da melancolia!
É o que me move,
o que me inspira,
o que me faz ser natural,
foi em minha mais profunda tristeza,
que desenvolvi meu instinto poético sentimental.
É dela que me alimento,
é nela que me fortaleço,
ninguém merece ser triste,
eu sei, também não mereço!
E não é por ser dela poeta,
que vivo o tempo todo assim...
Mas é através dela que encanto,
com minhas palavras,
até com meu pranto.
Então te peço tristeza,
se faça presente em mim,
que seja bela, de todo jeito,
na prosa ou poesia, enfim.

c.t.

A raiva e a felicidade.

A raiva contida,
em si só percebida,
por vezes criada,
me é mão estendida,
em hora precisa:
na dor da partida,
pra ser despedida,
e curar ferida,
daquele que avisa,
que é pura maldade,
e que na verdade,
nem bem me queria.
Só mal se fazia,
do amor egoísta,
bem falso, fascista,
eterna conquista,
do que nunca quis.
E eu enraivada,
com dor enraizada,
não quero mais nada,
se não, ser feliz.

c.t.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

SENRYU.

Enquanto um for apenas um,
nunca haverão dois,
na vida de nenhum.

c.t.

Forró, minha vida!

Procurei uma paixão verdadeira,
que por ela tivesse puro encantamento,
na qual pudesse despejar meu interior,
e que me tomasse toda, inteira por dentro.

Que fosse simples, nada muito rebuscado,
mas que fosse feita com carinho, com extremo cuidado,
e enquanto fosse feita com pureza,
deixaria uma herança, um bom legado.

E então surgiu: primeiro conheci a melodia,
logo me apaixonei, foi de pronto sintonia,
letra, música, som e alegria,
forró, xote, xaxado, baião...
Que mais haveria?

Enlouqueci com o ritmo, pirei no compasso,
como é que pode, apenas três instrumentos,
fazerem tanto estardalhaço,
e reunir (e unir) tantas pessoas em um pequeno espaço?

Quis ir mais fundo, conheci a cabrueira,
gente boa que me acolheu de sorriso aberto,
me ensinou, me deu valor, me levou ainda mais pra perto,
daquela que seria uma rotina de vida costumeira... dançar forró a noite inteira!

E fazer charme, e fazer graça,
pro rapaz que observa, pra moça que passa,
fazer carinho, rosto com rosto,
dançar coladinho, mão no pescoço, sensação de ninho, acolhimento,
relação de puro envolvimento e perfeição.

Pois em cada nota que ouço existe um sentimento bom,
em cada música nova que escuto existe um momento único,
só meu, só de vocês, de intensidade corporal,
de liberdade existencial, de encantamento e pura emoção...

E posso dizer com propriedade,
que variando entre a música e a dança,
finalmente encontrei minha paixão.
Forró: movimentar os pés,
usando o coração!

c.t.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ser supremo.

Há tanta coisa que existe,
que eu não compreendo,
ou na verdade, alheia, nem me atento.
Coisas do tempo,
coisas do cosmos,
coisas da vida e da morte,
coisas do azar e da sorte,
coisas do vento e de dentro.
Talvez jamais as entenda,
tão limitado seja meu entendimento,
ou então se revelem à mim,
como num sopro de pensamento,
porém insistente, imponente,
tal como um alumbramento,
que eleve o corpo e a mente,
tornando-me ser supremo.

c.t.

domingo, 16 de novembro de 2014

Paixão de ocasião.

De repente encontrar,
num destino esperado,
magicamente amar,
encontrar ser amado,
começar sem pensar,
quando se desejado,
num sentir, num olhar,
num suspirar, num sentido,
numa mesa de bar,
num drinque, numa batida,
numa beira de mar,
brisa boa, som de vida,
simplesmente apaixonar.
Coração acalmar,
curar ferida,
seja aqui, seja lá,
mas que quando começar,
que seja por toda a vida.

c.t.

Poema do meu querer.

Não te peço que entenda minha revolta,
não quero que seja muralha em minha volta,
te peço que não me julgue,
e não exijio que me mereça,
não concordo que me solucione,
muito menos que se compadeça,
te imploro que não me redome,
tampouco que me abandone,
nem que enxugue minhas lágrimas,
nem que cure minhas mágoas,
não quero que sinta pena,
nem que seja tão pequeno,
não quero que me bajule,
te peço que não se anule,
preciso que seja autêntico,
não precisa ser tão quântico,
nem quero que seja santo,
só peço que tenha alento.
Só peço que tenha canto,
que venha todo,
que seja encanto,
que tenha cuidado,
e não esteja fadado a ser desalento.

c.t.

A maldade que volta.

É tanta gente que diz que me ama, e me engana,
é tanta gente diz diz que me quer, e some,
é tanta gente que me desfere elogios, e me apunhala pelas costas,
é tanta gente que diz que se interessa, e me joga fora,
é tanta gente que diz que quer minha alegria, e me faz ficar triste,
é tanta gente que diz que pensa em mim todo dia, e nem lembra que eu existo,
é tanta gente que diz que eu valho a pena, e me arranca o valor,
é tanta gente que diz e que diz, e não diz nada... Que horror!
É tanta gente mesquinha,
é tanta gente vazia,
é tanta gente sem alegria,
é tanta gente tão sem noção,
é tanta gente sem coração,
que eu perco a direção,
me confundo na minha certeza,
me pergunto que natureza,
faz um ser humano maltratar um irmão!
Se não me quer, não me engane,
não me maltrate, não me julgue mal,
cuidado com suas atitudes,
seja brando, mude,
ou vai se acabar no final.
Porquê a vida não perdoa a maldade,
te trás de volta, pior ou na mesma igualdade,
e te cobra muito mais caro por ter emanado tanto mal.

c.t.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Aluei.

A lua amarelada,
da janela, pela estrada,
para mim sorri.
Me mostra,
pelas nuvens entremeada,
que há vida noturna na estrada,
que existe um mundo dentro da noite,
que nunca vi.
Tal noite profunda, calada,
árvores negras, mata fechada,
céu carregado, espesso,
vozes veladas,
mato que guarda segredos,
que só são revelados,
diante da curiosidade,
que a própria me trás.
E a lua, tão amarelada,
impera, reina,
majestosa e clara,
parece que sabe,
que a noite me cabe,
me inspira e me invade,
e me enche de paz.

c.t.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O tempo e a vontade.

São exatamente 04:41.
Sono? Não sinto nenhum.
Mente em você,
corpo em você,
mas espera,
onde está você?
Queria aqui,
queria já...
Corra!
Não posso esperar!
Não posso aturar,
tanto sentimento errado,
o que foi que aconteceu no nosso passado?
Penso, repenso,
mais uma vez,
e já vai dando 04:43.
Veja, aliás, sinta,
me sinta,
inteira,
não minta pra mim,
seja inteiro também,
ou é isso ou é fim.
Mas volta,
bate de novo á minha porta,
não consigo resistir...
Senhor! São 4:47,
eu preciso ir dormir!
Mas a mente está em você,
o corpo está em você,
quero você,
e às 04:49 começo a perceber,
que o tempo continua a passar,
mas nunca vai se acabar meu querer...

c.t.

Te sinto.

Te vejo,
corpo estremeço,
me toca,
toda amoleço,
me beija,
elevação,
me aperta,
puro tesão,
respira em mim,
me arrepio,
me adentra,
some o vazio,
me enche,
transbordo fervor,
me ame,
pra sempre, por favor.

c.t.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Errata.

Correndo feito louca,
desativando status,
removendo rostos,
desvanecendo retratos,
que nunca foram tirados,
talvez por serem fadados,
a não serem guardados,
e sim rasgados,
da minha memória sensata.
Faço de ti, com todas as letras,
minha mais doída errata.

c.t.

Todo sal.

O barulho ensurdecedor do silêncio que habita em meu ser,
segue emudecendo palavras,
transparecendo-se em lágrimas,
num entretempo que demora demais de correr.
Entre o avesso do certo e o verso do incerto,
eu sou só o que há,
pura, dissonante, empobrecida,
buscando fôlego,
me afogando em vida,
atravessando a cidade,
inerte, pedindo piedade,
balbuciando rios de verdade,
pois sal também é falar.
Sal é gritar, sal é implorar.
Sal é suplicar pra você não me matar...
Por favor,
não sinta, não fale, nem peça.
Apenas me deixe chorar e sonhar.

c.t.

Auto-contestação.

É isso.
Não posso.
Não devo.
É errado,
percebo.
Beleza.
Passou.

(Não,
espera!)
Para,
já era!
Chega!
Garota,
não adianta!
Acabou.

c.t.

Oração do esquecimento.

Se não for pra ser, que o tempo leve.
Que as horas passem depressa,
que a saudade seja amena,
e não machuque ainda mais o peito que desespera.
Se não for pra ser, que o tempo apague.
Que as lágrimas sequem,
que as lembranças sumam,
e que nada mais o impeça de correr em busca da felicidade.
Se não for pra ser, que pare de doer.
Que o vazio na alma seja preenchido com amor,
que a sensação de esmagamento e frio se transforme em toneladas de calor,
que as dúvidas virem certezas,
que o tão esperado perfeito apareça,
trazendo só calmaria e paz...
E que eu não me permita sofrer,
nem chorar, nem me entristecer,
por nada e ninguém, nunca mais.

c.t.

Oração pra vida continuar.

É no meio da minha bagunça, que me acho.
É chegando ao meu transbordo, que abro espaço.
É no meio do meu tormento, que a calmaria se faz.
É sentindo inquietação, que encontro a minha paz.
É no extremo cansaço, onde maior força exalo.
É no meio de tanta mentira falada, que minha verdade calo.
É na profunda tristeza, que de novo me faço alegria.
É vivendo na mesma mesmice, que renovação me faço todo dia.
É chegando ao fundo do poço, que pego impulso para me elevar.
É somente acumulando mágoas, que consigo perdoar.

c.t.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Tanta saudade.

Saudade é sentimento amargo,
só surge em momento improvável,
nos lugares mais desconfortáveis,
em meio a felicidade,
andando pela cidade,
passando por lugares,
em lembranças de momentos que compartilhei,
em quarto, em cheiro, em pele,
em boca, em interior,
em derme,
epiderme,
hipoderme,
tem saudade até onde não se deve,
saudade da areia,
saudade do movimento,
saudade do sentimento...
Saudade do que aconteceu!
E do que nem sei se vai acontecer,
mas acaba que sem nem perceber,
percebo que minha saudade se resume a você.

c.t.

Dura realidade.

Sonhei contigo.
E no sonho, me dizias tanto,
coisas que eu desejo ouvir,
coisas que fariam meu coração tremer de emoção,
mas na confusão do despertar,
a realidade teve ainda mais impacto,
pois tateando pela cama,
e te procurando pelo quarto,
percebi que era somente um sonho, de fato.

c.t.

domingo, 9 de novembro de 2014

Nossa receita.

Te preciso. (Ato conciso de querer sempre perto.)
Te vejo. (Acalmar o tormento da distância e do incerto.)
Te sinto. (Internalizar sentimentalmente o ser desejado.)
Te perco. (Partida não autorizada do indivíduo amado.)

c.t.

Olhos coloridos.

Me miram.
Me atiçam.
Me fitam.
Me incitam...
Me irritam.

Olhos coloridos transfigurando fogo,
queimando tudo o que há dentro,
incinerando instantes,
se alastrando até o centro,
se fundindo com minha carne,
com meu ventre mal intencionado,
com minha boca e esse batom vermelho mal passado,
com as lembranças do teu gemido em meu ouvido,
com minhas lágrimas, meu suor e meu peito doído,
com a pele roxa, a mordida doce,
mão pesada, fala mansa,
fôlego que cansa, final de transa,
cabeça no peito e coração sem jeito,
olhar fulminante que em mim causa medo,
pois através desses olhos coloridos,
te preciso, te vejo, te sinto e te perco.

c.t.

Natureza morta.

Preciso dormir.
Mas a cabeça pensa,
o coração repensa...
Vale mesmo a pena,
me sentir assim?
Atordoada, sem entender nada.
Suas atitudes, uma charada!
E me fazem imaginar...
O que você faria,
se estivesse em meu lugar?
Nada?
Ou deixaria rolar?
Suas intenções eu conheço,
acontece que eu não mereço,
ser sempre a opção do fim.
Só aparece quando nada mais da certo,
quando quem você realmente quer não está perto,
é muito difícil pra mim.

(O que a gente sente,
é como uma flor,
que brotou de dentro,
puro sentimento...

Cortaram-lhe o caule,
puseram-lhe numa jarra,
esperando mantê-la sempre linda assim...

Mal sabiam eles,
que com o tempo apodrece,
morre, desvanece...
Até as mais belas flores tem seu fim.)

c.t.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Memórias de um Forró.

Te vi de perto,
sorriso aberto,
contive o encanto,
mas algo em mim havia desperto,
novamente iria te encontrar.
Te vi de longe,
e de lá de baixo,
foi novamente encanto...
Era um sorriso que vibrava,
uma voz que cativava,
mãos certeiras,
toque e canto.
Lá pras tantas,
tomei coragem,
e um pouco tonta,
te chamei pra dançar.
Mão na nuca, mão nas costas,
enquanto a gente rodava,
sentia meu mundo girar.
Parece que tudo era fluido,
não havia chão,
nem música,
nem sentido,
nem corpo,
nem vida,
nem cheiro,
nem ar.
(Mas não tinha mesmo ar!)
Faltou, quando você me apertou,
e em meu ouvido começou a cantar.
"Morena..."
Foi só o que consegui identificar.
Dali a diante, completamente inebriada,
nada mais parecia importar.
Foi quando a música acabou,
e a gente se separou,
enfim, tudo voltou pro lugar.
Mas entre todas aquelas pessoas,
mesmo de longe,
não paramos de nos olhar,
e desejar de novo dançar...
Foi quando a festa acabou: e agora?
Eu tinha que ir embora!
Não havia como ficar!
"Fica!", pedia manso,
e eu com agonia e pranto,
lhe disse: "Vou retornar.".
Voltei!
Outro dia, outro lugar,
outro forró, lindo luar,
cheiro de areia, brisa do mar.
De novo rodamos e nos apertamos,
aquela vontade de nos ver matamos... Ah!
Mas algo faltava, para completar.
E enfim, juntos dois corpos,
finalmente sem vergonha expostos,
dançando um manso xote,
a se beijar...

c.t.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

São nada mais que.

Me diz que não vale a pena sofrer,
nem chorar, nem me entristecer...
Me diz que não se deixa sentir,
assim por nada e ninguém.
Me diz que sou valiosa,
de certo maravilhosa,
e não quer me ver sofrer assim.
Me diz com toda a firmeza,
que não é o melhor pra mim.
Me deixa e me arranca tristeza,
mas nunca se deixa ser fim.

c.t.

Te sentir... Me sentir.

Tanto te quis aqui,
junto a mim,
te sentir, te tocar,
te entrelaçar,
te enlouquecer...
Tanto desejei,
que ardeu, queimou,
me desestruturou,
descompassou minha decisão,
despejei suspiros em vão,
lágrimas cairam então...
É agoniante,
resistir-se do desejos mais profundos do coração.

c.t.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dança da chuva.

Nuvem se precipitando em gotas...
Olho se precipitando em lágrimas.
É tanto sal, é tanto doce...
O que molha e o que lava,
jorrando sobre o mesmo tempo.
Olho pela janela,
céu choroso e sangrento.
Olho fundo, lá dentro,
e transbordo...
me afogo em profundo sentimento.

c.t.

Lágrimas disfarçadas.

E dentro do carro,
era tanta lágrima,
que eu nem sei de onde saia.
Mas aquele choro velado fluía,
em silêncio,
Sem desespero.
Um aperto,
no peito,
escorrendo,
cachoeira por dentro,
em lágrimas,
engolidas,
salgadas,
amargas,
disfarçadas. - Indyara Ribeiro.

(E transcrevendo acontecimentos tão nossos,
viro espelho de teus salgados olhos...
c.t.)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O jogo.

Se movimenta, se estreita,
se esgueira por entre o aperto,
tenta do outro, tenta do jeito,
fingindo ou não, ser capaz.
Em meio a tantas luzes,
na mesa e na cadeira,
um desafio se faz.
Me diz que sou tua sorte,
me beija, procurando norte,
concentra, mira, sagaz.
Ganha de novo,
(tanto eu, como o jogo),
mas toda sorte tende a acabar.
Se algum dia dei sorte no jogo,
em contrapartida, no amor fui azar.

c.t.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Um simples verso de brevidade.

Se quiser ficar,
sê bem vindo.
Se quiser partir,
vá saindo.
Só não fique parado,
no meio da porta,
atrapalhando o caminho...

c.t.

Ingratidão.

Quantas vezes fui porto seguro,
abrigo, calmaria, compreensão.
Quantas vezes suportei teus erros,
perdoei seus deslizes,
em nome do coração.
Quantas vezes tomei pra mim tua dor,
e senti todo dessabor,
da tua mera ignorância.
Quantas vezes sofri calada,
e chorei, amargurada,
ao sentir nossa distância.
Quantas vezes me vi solitária,
na imensidão dos meus lençóis sujos.
Quantas vezes ouvi tão perplexa,
a intensidade dos teus absurdos.
Quantas vezes pedi que escolhesse,
entre mim e o avesso,
entre o céu e o chão.
Mas me deste somente revolta,
o fel da derrota, e ingratidão.

c.t.

domingo, 2 de novembro de 2014

Raiz morta.

Luto pra não lembrar com tristeza das coisas que foram embora da minha vida, mas não adianta.
Pois a maioria de tudo o que se vai de mim não tem consentimento,
é sempre arrancado pela raiz,
e vai levando tanta coisa importante junto...
Pedaços da mente, do corpo e do coração,
pedaços da alma,
partes de sonhos,
de desejos,
realizações pessoais,
pedaços vivos e pulsantes de mim.
Pedaços que não queria que morressem assim...

c.t.

O vazio.

No princípio, é puro.
E é preciso haver,
para que dele surjam,
características do ser.
Mas e quando existe só,
vazio, puramente vazio?
Perceber-se completamente oco,
ou entupido de coisa nenhuma,
cheio do que não apetece,
do que não transborda,
do que não causa calor.
Ser vazio por vazio estar,
ou vazio de sentimento ter.
Pois frio, também é vazio.
É tristeza, é incerteza,
encolhimento, solidão.
Vazio de medo,
vazio até de preenchimento,
pois o que um dia esteve foi-se,
deixando você só, no meio do salão,
perguntando-se o motivo de tanta solidão,
pra que serve esse buraco, dentro do meu coração?

c.t.

sábado, 1 de novembro de 2014

Velha rotina.

As lembranças vem e vão. Volta e meia me pego pensando no teu jeito, naquele sorriso bobo que você exibia quando eu dizia alguma coisa engraçada, no teu jeito meio esquisito e também meio afixionado de arrumar o cabelo pra sair. Volta e meia me pego pensando nas ligações, nas conversas, nas viagens, nas brincadeiras, no embalo da música, no jeito menino e ao mesmo tempo responsável, no beijo, no cheiro, no corpo... Enfim. Volta e meia acordo pensando em ti, volta e meia dormindo, sonho contigo. Volta e meia surge a vontade de te procurar, de conversar, de novamente rir das bobagens e de novo estar perto de ti. Volta e meia me pego pensando no que foi e no que poderia ser. No que poderia ter sido... No que poderíamos ter sido. E de volta em meia em volta em meia, lembro-me que tudo é um sonho e que preciso esquecer.
[Boa noite, meu bem, adoro você...]

c.t.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

De mudança, enfim.

Preciso mudar, deixar de ser.
Mesmas decisões erradas, mesma insistência tola.
Preciso parar de procurar igualdade,
mudar o querer, querer o melhor...
(É uma falsa felicidade aprisionada nos trejeitos do outro.
Querer.
Aquele sorriso, aqueles gestos,
aqueles olhos, aquele corpo,
aqueles gostos, aquela mão,
aquele rosto, aquela maresia...
Onde encontrar? Como igualar?
Dá para se aproximar?)
Buscar mesmisse em outro lugar e encontrar, é novamente me enganar.
E difícil mudar, mas preciso tentar.
É tão difícil ver quem a gente gosta partir... Mas precisando ir, vá.
E o que resta no fim é ter a certeza de que é mudando as atitudes que o tão esperado chegará.
E que venha pra finalmente ficar.

c.t.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Decisão.

"Te ver e não te querer,
é improvável, é impossível.
Te ter e ter que esquecer,
é insuportável, é dor incrível..."

Te quero,
é improvável te ter.
Quanto ao bendizer que isso envolve,
é independente de sucesso.
Tarefa é do peito, poder te esquecer.
Te quero,
mas não sendo assim,
se der quero corpo e alma, inteiro pra mim.
Se não, deixa ser fim.
A cabeça está no devido lugar.
O coração? Queria ser o lugar.
Então por quê não, o que há?
Outra há.
Outras mais.
"Outras" que certamente não findem jamais.
Mas me cega; e egoísta, me prende...
Por quê não ficas, meu bem, o que impede?
Desculpas são tantas e tamanhas,
me afetam, me arrancam paz,
e sinto-me espremida entre o vá embora e o fique um pouco mais.
Fique em paz!
Fique em lembranças,
em coisas,
em sonhos,
que a cada despertar de ti me lembram um pouco mais...
Fique em saudade: de um tempo que se foi,
em desejos: de colecionar memórias que nunca vão acontecer,
mas que em mim sempre vão ocorrer.
(E se algum dia quiseres viver,
cá estou, pronta pra te receber.)

Desculpa mas diante dos fatos,
mesmo te querendo,
preciso te esquecer.

c.t.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Lixão de sentimentos úteis.

Enfim, o amor deixou de ser comovente, não envergonha mais. As pessoas pararam de se render à boa vontade, ao carinho e ao cuidado. A quantidade de sentimentos bons que você demonstra à alguém é igualmente proporcional ao quão estúpido você vai parecer aos olhos desta pessoa. Que estranho e que lástima. Foi-se o tempo em que insistir, persistir, se doar e se preocupar, valia a pena. Essas ditas emoções de urgência e emergência (paixão, tesão, atração e tantas outras tão menos importantes) que as pessoas prezam hoje em dia tomaram espaço aos murros por entre as coisas puras de se levar no peito. E o correto, sem suporte, se encolheu, com medo da repressiva. Ignorar é preciso, machucar é necessário, fingir é essencial. A moda agora é fazer jogos, pisotear e parecer não se importar. Acredite ou não, esse é o novo método de conseguir aquela pessoa amada em 20 dias. E funciona. Parece até propaganda de remédio milagroso, mas não se engane, é diagnóstico de doença incurável. Vejo gente de coração limpo se curvar ao sofrimento em nome de sentimentos falsos enquanto outras desperdiçam ou passam distraídas por sentimentos verdadeiros. Jóias são jogadas constantemente no lixo, enquanto pedaços de carvão são julgados pedras preciosas. E até eu, que me acho uma mulher muito bem estruturada, virei catadora de preciosidades no lixão de sentimentos (in)úteis.

c.t.

domingo, 26 de outubro de 2014

Manual de auto-intensidade.

Eu, intensa, tenho atitude na mente, dependência de amor e coração aberto para o inesperado. E não mereço pouco! Nem tampouco ser entrelinha em certas histórias paralelas que estão sendo escritas. Desejo ter minha própria história, ser meu próprio enredo real, sem jogos ou chames, truques ou máscaras. Sou verdadeira! Não tenho vergonha de querer, de decidir, de ir, de ser, de agir. Não tenho vergonha de parecer precipitada, não tenho vergonha de parecer desesperada por uma demonstração de afeto qualquer de qualquer pessoa que vier. Quero viver! E quero sentir que o outro também quer viver! Quero demonstrar, saborear, degustar cada momento, aproveitar cada gota de sincero sentimento desse imenso mar de desapego e ilusão contemporâneo.
Sim, sou profunda, mas de forma alguma almejo me magoar. Aprendi a emanar estritamente o necessário para aqueles muitos que não conseguem suportar toda essa minha profundidade, e mudam. E fogem de mim. E desaparecem. E para os intensos como eu não há pior decepção que descobrir que se deu demais, para quem se doou de menos. Portanto, com propriedade, afirmo: é triste ser profundo em sua própria existência sentimental e ter que viver boiando na superfície dos sentimentos alheios. Não sei ser porto seguro de barco sem rumo. Se for para atracar, venha com certeza, me escolha, me permita ser quem sou, do exato jeito que sou, me permita doar o que tenho, pois sendo assim tenho muito à oferecer.
Procuro nada mais que alguém que reme ao meu lado na contra mão da maré, quebrando as rasas ondas e esteja pronto para mergulhar comigo a qualquer momento, até atingir nossa própria imensidão, mesmo que a pressão nos sufoque e acabemos à deriva... Procuro alguém que sintonize na minha frequência, que esteja disposto a se entregar, a me entender e me espelhar. E se esse alguém não for capaz de compreender a densidade e a maturidade dos meus sentimentos, nunca vai poder se tornar a completude da complexidade das minhas emoções.

c.t.

Importante-se.

Só queria alguém que me ouvisse.
Não importa quem seja.
Ouvir o que tenho a dizer sobre o tempo,
o espaço, e os corações partidos.
(Principalmente sobre os corações partidos.)
Talvez, fizesse alguém se importar com o que sinto.
Mas parece que ninguém se importa,
não importa quem seja...

c.t.

Dermo-pigmentação.

Fiz uma tatuagem para eternizar em mim dias em que tudo era sofrimento e só existia a dor.
E a dor que sinto ao olhar a tatuagem me lembra que não quero me lembrar destes dias.
Ainda assim, fiz uma tatuagem para registrar em mim dias que quero esquecer.
Fiz uma tatuagem para nunca mais me esquecer de dias que nunca mais quero lembrar...

c.t.

Fantasiando o novo querer.

Fisicamente falando,
qual seria o contra?
O pró é arriscar pra sentir prazer,
então, baby, medo de quê?
Se o corpo incita,
o movimento sugere,
e a anatomia é propicia?
Sentindo encorpar o desejo,
me jogo, me entretenho, mordisco.
Balbuciando direções,
induzindo ao inevitável,
comandada pelo flamejar da carne.
Completamente enfurecida pela nova sensação,
ansiando pelo gozo das novas descobertas,
vou tentando convencer e devorar você.

c.t.

sábado, 25 de outubro de 2014

A vida e o tempo.

Que vida é essa?
Que nem bem estréia e já tende a findar,
não nos permitindo conquistar,
em tudo faz decepcionar,
impedindo a gente de caminhar...

Que vida é essa?
Que escolhe bem poucos pra acalentar,
e alguns, parece que gosta de ver penar,
e sofrer, e chorar, e se culpar,
no vazio procurar se abrigar,
nos outros, não mais confiar,
do universo querer se afastar...

Que vida é essa?
Que arranca de nós o que há de melhor,
apaga sorriso e faz nó,
criando fundo em nós mal pior que pode haver,
e faz um fim de linha almejar:
deixar se acabar ou subitamente morrer...

Que vida é essa?
Será que é a única que há?
Não existe outra onde eu possa sonhar,
me curar, repousar?
Do corpo cuidar,
a mente engrandecer,
o espírito elevar,
o coração aquecer,
as feridas lavar,
a verdade escolher,
junto aos meus, celebrar,
perdurar, perecer,
e assim ver passar todas as eras do tempo,
enquanto houver tempo a correr...

c.t.

SENRYU.

Ser verdadeiro,
deveria ser tendência,
ser solitário, opção.

c.t.

Memória.

Tudo mudou.
Até os velhos hábitos se foram.
As melodias mudaram,
os segredos são outros.
Por sorte, os amigos são os mesmos.
Dos sonhos que tive,
poucos realizei,
os que restaram,
não faço menção de realizá-los.
Na hora do almoço,
falta um pedaço.

Os segundos correm...
Tudo em função de um tempo que se encolhe ao redor de mim mesma.

c.t.

A paixão.

Paixão de furacão,
de maré mansa,
de admiração.
Paixão não é brinquedo,
também não se deve ter medo,
faz bem pro coração.
Apaixonar-se da vida,
das artes, do tempo,
das maravilhas da natureza,
do inusitado, da beleza,
das coisas, das pessoas.
Paixão efêmera,
esquece, desaparece,
basta um momento,
pois toda paixão tem um pouco de vento,
desses que passam ligeiro,
levantando as cortinas da casa,
bagunçando os cabelos da moça que passa,
levantando a poeira do fundo da vida,
e que como tal, termina,
mas volta a acontecer na próxima esquina.

c.t.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Flyer.

O que vejo são palavras,
escritas sobre um tempo que demora demais de correr.

Ampulhetas de um destino que como todos os encontros,
acontecem na dose certa, quando tem que acontecer.

c.t.

Azul.

Sempre admirei a miragem das piscinas iluminadas pelas estrelas.
Não por ser noite,
nem por ser piscina,
mas por ser azul.
O tom, a cor, a emoção...
E apesar do profundo me despertar tormento,
- diz-se isso ser batofobia, falou ditoso o dicionário das fobias sem sentido -,
tal azul me consome,
intriga e absorve.
Quiçá um dia me afogue nele...

c.t.

SENRYU.

Evoluamos,
para que possamos estar melhor,
que onde estamos.

c.t.

Felicidade, mesmo que finde, sim.

- O dia está lindo hoje. Dá até felicidade olhar o céu com essas nuvens.
- Você sabe que não vai ser feliz todo o dia, não sabe?
(Silêncio.)
- Sei.
- Então?
- Ainda assim gostaria de tentar.

c.t.

MINI-UNI-VERSO.

Cadê quem quero,
quando impaciente quero,
que quem eu quero esteja,
querendo o mesmo que digo?

c.t.

Desmemória.

Fugindo do que não se escapa,
escapando de uma vida infame,
mais infame é a curva da estrada,
que seguindo não se acha volta,
que lembranças não encontram sinapse,
que o pulso perde todo o compasso.

Descompasso de emoções passando,
de quem fica,
enterrando abraço,
esquecendo jeito e acostumando dor.

E se o futuro do enterrar é esquecer,
esqueço em mim de ti um pedaço,
pois quem foi, levou consigo espaço,
difícil, pois, impossível preencher.

In memorian.
Thiago Santos Ferreira.

c.t.

Sabe o que eu queria agora, meu bem?

Deitar numa grama verde,
macia, cheirando a calma,
e olhar o céu.
Sentir a calma do azul,
ouvir o canto dos pássaros,
procurar formas nas nuvens,
me arriscar, sorrir até ver um coração,
desses que tem a forma que me lembra você...

Esperar que o sol brilhe mais forte,
para que eu eleve minhas mãos ao rosto,
e nessa hora imagine que você está por aí,
deitado numa grama,
sentindo, ouvindo, procurando, se arriscando, sorrindo e imaginando o mesmo que eu.

c.t.

Raramente ela.

Diante de tanta luz o sol é tão pequeno,
move-se leve a dançar,
nem que seja num instante,
seu rosto sereno, puro,
faz força minar...

Amante da natureza, dos astros, do tempo,
faz-se igual admirar,
toda vida, todo corpo em seu mundo terreno,
deseja tal qual se elevar...

Dentre as pedras mais formosas,
de valor imensurado,
faz-se jus a acrescentar,
e de todos os amantes das pedras preciosas,
Indy(rara), faz-se anelar.

c.t.

Em três, poesia mais uma vez.

A noite cai, tão voraz,
e ela traz...
Sensações e gargalhadas,
poesias embriagadas,
beberagens engarrafadas,
palavra cantada e paz.
Histórias recordadas,
memórias tão usadas,
para traduzir segredos engavetados,
e hoje revelados...
Sorrisos que refletem um tempo bom,
reflexos de um tempo bom que não floriu,
porém então abriu,
outro mundo veio,
outras perspectivas,
nunca imaginativas,
mas tão vivas nas histórias de nós três...
Nesse encontro que não será apenas uma vez.

c.t., i.r., c.c.

SENRYU em devaneio.

Teor alcoólico,
devaneando profundo,
onde estás tu no meu mundo?
O vinho encorpado entra,
a verdade seca, sai,
mas a realidade,
é que você se difere,
não vem, nem vai...

c.t., i.r.

SENRYU.

Teor alcoólico,
devaneando profundo,
onde estás tu no meu mundo?

c.t.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Curto verso.

Não o tempo todo,
de vez em quando é necessário.
Lição de vida é ficar triste,
somente os tolos pensam o contrário.

c.t.

SENRYU.

Tenha, menina a certeza,
de que velhas promessas precisam ser pagas,
para que novas sejam feitas...

c.t.

Eis a questão.

Existo de tudo um pouco.
Das sortes,
dos milésimos de acaso,
de raros dejavu's.
Alimento-me de cada memória,
de momentos soberanos,
soberbos, supérfluos,
de sonhos inacabados,
de promessas não cumpridas,
desejos, realizações,
amores não amados, traições,
futuros inesperados.

Existo de tudo um pouco?
Sim. Viver custa caro demais.
Tem amargo e doce, cada extremo,
e ainda assim não me satisfaz.
Viver às vezes é deprimente.
E só existir às vezes nem é suficiente.
Então prefiro continuar existindo,
e viver, coexistindo em paz.

c.t.

Estranhamente estranha.

Pensamentos fluentes no balde vivo da dúvida,
idéias correntes e devastadoras como água suja de enxurrada,
desafiando as leis da tranquilidade e conforto,
fazendo confusão do destino,
que caminha cego,
sem vista, nem rumo,
e só vejo um fim nublado,
como fumaça branca que acompanha o raiar indeciso de um mal dia.
E no fim de todo o tempo vou me sentindo assim...
Inerte,
insólita,
inconfiguravelmente,
estranha.

c.t.

Esperança.

Espero que os dias e noites decisivos da minha vida sirvam de viga para a sustentação das minhas novas verdades. Que essa claridade que se estreita por debaixo da porta do meu quarto me alcance e me traga de volta as boas novas e os antigos dias de glória. Que a sensação de futuro incerto, olhos inchados, coração tranquilo, calma, paz, amor e esperança que há em meu peito se solidifiquem sem manchar meu velho ar petulante de atravessar as horas. Espero que tudo mude, que o tempo passe, que o mundo gire, que os sonhos voltem, que o sorriso pereça, que as lágrimas sequem e o amor edifique os peitos pobres de vida. E que a própria vida seja um símbolo de renovação dos presentes incertos e dos futuros desperdiçados.

c.t.

Previsão.

Ser feliz a partir do ponto,
em que 3 corações se unem em alento,
e no acalento das almas,
a tempestade se acalma,
e o incerto vira todo e o todo cura a alma,
daqueles que se destinam,
sem tempo e hora marcada,
e a findar juntos, caminham,
felizes, ao longe,
mãos dadas na estrada.

c.t.

Das atitudes.

E a tal palavra mostrada,
presente não se fazia,
nos gestos de quem falava.

Perdida, se lastimava,
se em tudo, nada ocorria,
ao erro, se dedicava.

E muda, observava,
por fora, não mudaria,
quão pura ainda dentro estava?

c.t.

Saudade.

Saudade da completude,
do preenchimento,
da calmaria...
Saudade do tempo quente,
do calor interno,
da energia...
Saudade da plenitude,
da paz interior,
da sintonia...
Saudade do afago leve,
da dança mansa,
da alegria...

c.t.

Prelúdio.

Primeiro, foi o olhar. Puro, sincero, interessado. As palavras vinham fáceis, desbravar o desconhecido fazia todo sentido.

De repente, me iludiu.
Me fez querer,
depois partiu.
Promessas pífias,
das mais simples,
nunca cumpriu.
E o sentimento,
tão bonito,
se viu murcho,
não floriu.

c.t.

Camila.

É leve, é tênue,
intensa, malícia,
se veste de vida,
é só coração.

É livre, é calma,
é forte, penetra,
na profundidade,
da própria emoção.

E quando se olha,
de pronto se nota,
que tem o valor,
da mais nobre canção.

E o mais breve toque,
da nota Camila,
te ganha, te rende,
em sua doce prisão.

c.t.

Tune-up.

Quando tudo parece perdido, me obrigo a lembrar... Das coisas que vivi, das que não vivi (por não saber), das que não quis viver e das que daria tudo para ter vivido. E agradeço em boa oração por cada uma delas. Sou grata por todo flash de memória, por todo milissegundo de vida, por toda ação e reação acontecida, por toda coincidência, toda agonia, toda felicidade e toda incerteza. Pois cada um desses eventos aleatórios de vida me fez ser quem hoje sou. Se compreendo as pessoas, é porquê já tive toda sorte de experiências com elas. Se sou uma boa pessoa, é porquê aprendi com a maldade que vale a pena espalhar sorrisos pelo mundo. Se tenho histórias para contar, é porquê tive a oportunidade de vivenciar cada uma delas de forma única e extrair de todas alguma coisa que me movesse, que me impulsionasse a buscar o melhor da vida, o melhor das pessoas e principalmente o melhor de mim mesma. Sou grata à bondade do mundo, à conspiração do universo e à onipotência divina, e principalmente, sou grata por sempre poder recomeçar. E peço à essa força maior que domina o ar que respiro, que faça valer minha estadia nesse plano para que eu não me permita entristecer, para que eu não me permita desistir, para que a vida tenha ainda mais vida, dentro do meu fim e recomeço diário.

c.t.

Enxurrada.

Se fores embora não deixe vestígios,
de todas as coisas que juntos vivemos,
Se fores embora que vá como a chuva,
que limpa nos cantos, que lava os venenos…

E tal como a água, evaporaremos.

c.t.

Despertar.

Despertar de um jeito diferente,
navegar num sonho perdido,
em lembranças que aquecem o coração e a alma,
perceber que a chuva foi-se embora,
que só o imenso céu azul resta agora,
pois vale mais lembrar de quem a gente gosta, sorrindo,
do que firmar tristes partidas na memória.

c.t.

Necessidade só.

Os dias vão ficando mais difíceis e as noites, mais longas. É muito estranho perceber-me sozinha mais uma vez no universo. Abandonar os velhos hábitos, é torturante. É um combinado de não mais oi com não mais tchau, não mais cabelo com não mais pele, não mais unha com não mais boca, não mais eu e você com não mais você. Não mais você. Não mais você… Não mais. Não deu. Fui forçada mais uma vez a ser egoísta, a sentir raiva, a chorar compulsivamente. A vida tem sido bastante dura comigo… Me completar tem sido meu pior pesadelo no mundo real. E diante de tanto sentimento não correspondido, olho pra dentro e enxergo um modelo básico de existência, tomado pela configuração básica de não ser só, tomado pela necessidade urgentíssima de não ser nó, desses que quando se apertam e se esquecem, endurecem, e não há como desfazer…

c.t.

Vício.

É vício o que sinto,
te olhar.
Te ter em meu peito,
te amar.

Sentir tua pele,
me arrepiar.
No embalo de um toque,
contigo dançar.

Provar teu encanto,
a ti encantar.
Secar o teu pranto,
pra te acalentar.

Dormir ao teu lado,
contigo sonhar.
Sonhar ser teu sonho,
e em ti me acabar.

c.t.

Partida.

É, eu realmente gostei de você.
Mas quantas palavras são ditas à tôa,
sem necessidade, sem quê nem pra quê…
A gente se perde no que se mostrar,
E quando se mostra, já tarde, não dá,
Pra rebobinar ou pra recomeçar,
Pra não permitir o coração de sangrar…
Pra não se acabar sem sequer se falar.
É, eu realmente gostei de você.
Agora, sem hora, coração dispara,
e o quanto me dói não olhar pra você.

c.t.

Se flor pra ser, não seja espinho.

Devemos ser o que de melhor temos dentro,
o sumo bom extraído da alma,
desilusões fazem parte da vida,
do teu calvário, da tua estrada.

Não dê aos que não te apreciam,
o prazer de te ver sofrer,
nem tudo o que nasce pra ser ruim se torna,
o amor desarma e modifica histórias.

Não há razão nenhuma,
de espalhar mal pelo caminho…
Se flor pra ser, não seja espinho.

c.t.

Ser, é amar.

Dizem por aí que as pessoas mais corajosas são aquelas para os quais os limites não existem. Bobagem. Amar é o verdadeiro ato de coragem; o amor não foi feito para os fracos. É um dos mais puros gestos de desprendimento corporal, espiritual e sentimental. Amor é sofrimento, noites em claro, vazio no peito, coração apertado, doação por completo, engolir desaforo, ferir o orgulho, suportar defeitos, superar barreiras e crescer por dentro. O amor não é o paraíso que as pessooas vêem em fotos de festas de fim de ano e álbuns de aniversário. É muito fácil amar assim. É muito fácil ser o que o outro espera, corresponder à todas as expectativas e fazer tudo do jeito correto. Você já cometeu uma burrada imensa com uma pessoa muito querida, que não achava que teria perdão e foi perdoado? Isso é amor. Você já decepcionou seus pais e mesmo assim eles te abraçaram e te disseram que tudo estava bem? Isso é amor. Você já amou uma pessoa tão intensamente que por mais que essa pessoa te magoe, você não consegue sentir raiva dela? Isso é amor. Se você já sentiu injustiça por outra pessoa, compaixão ou solidariedade, isso nada mais é que o amor que você sente pelo próximo exalando todo através de você, por meio destes sentimentos. O amor é tremendo; e amedronta. As pessoas tem medo de sentir amor, por quê o amor verdadeiro dói. Quiçá algum dia a conquista dos homens sobre o amor se estabeleça quando todos forem seduzidos pela sua dor à nível de alma e acabem por entregar-se. Pois é somente nos entregando ao amor que acabaremos por nos curar de todo o nosso medo dele.

c.t.

Ela & ele.

É gostar.
Ao beijar, se encantar,
num instante, se completar.
Tornar-se todo, então partilhar,
caminhos trilhar,
felicidade vislumbrar,
em par, vida sonhar...

É querer.
Bendizer, renascer,
sofrimento esquecer,
um ao outro perceber,
conexões mentais verter,
pele nua, enrubecer,
com a certeza do alvorecer...

É amor.
Plenitude, calor,
arco-íris de vibrante cor,
neles pousou beija-flor,
dela, se fez defensor,
dele, herói sem temor,
sempre e pra sempre, se preciso for.

c.t.

Veja bem...

Pare e note,
cá estou eu,
porque não me vê?

Veja e se importe,
queira-me bem,
junto a você.

c.t.

Libertação.

Amanhece - não há estrangulamento,
abro os olhos e não sinto dor,
desapodero-me do que tanto quero,
descontento-me do profundo amor.

Aliviando-me do peso da não correspondência,
aceito de bom grado teu dessabor,
que modéstia a parte, não me faz carência,
não mereço pouco, não mendigo amor.

Paciência - tão se faz presente,
em coração aberto, pétala de flor,
amanhece plena, sabe certamente,
pousará de novo, nela beija-flor.

c.t.

Procura-se.

Brote em mim sereno, resignadamente,
remendando medos, frustrações e dor,
seja a salvação que da solidão emerge,
brade mais que a voz do meu silêncio ensurdecedor.

Finde esta tortura, dissipe toda dúvida,
despeje tão somente em mim melíaco sabor,
arrebate-me inteira, sê de todo encanto,
e pronto, logo o pranto, se fará louvor.

Peito e mente em caos, ansioso ventre,
derme em fogo ardente, anelando amor,
clamo pelo dia que tal bo'alma me encontre,
e, paciente, arrume meu tormento interior.

c.t.

A dor.

Uma dor amansa outra,
acabei de descobrir.
Amansa, mas não dissipa,
só se para de sentir.

Deixamos uma de lado,
pra cuidar de outro fardo,
que suga de nossas veias,
energia vital de existir.

Dor que dói no fundo d'alma,
quase não dá pra sorrir.
E em tudo se faz presente,
para de nós nunca sair.

Essa dor é mal amada,
arde, consome, estraçalha,
até que por fim não reste nada,
de nós, apenas partir.

c.t.

Me sinto só.

E por tantas vezes me senti assim. Presa em meus pensamentos, atormentada, confusa, calada, pensante. Tenho dentro de mim um furacão de sentimentos, de gosto e de desgosto, de quero e de não quero. Mas no fim, acabo querendo o que vier. Por quê tenho medo da solidão. Tenho medo do meu quarto solitário, da minha cama grande e do vazio que enxergo toda vez que a olho. Não que haja a necessidade de ter alguém na minha cama, mas clamo pela necessidade de ter alguém no meu coração. O vazio não é o que me aflige, o que me aflige e me falta é alguém para entregar todo amor que tenho em meu peito. Tenho urgência de amor, urgência de doar amor, de doar carinho, de cuidar de alguém, de ser cuidada. Ainda que o amor seja dor, dói mais ainda não ter amor. Não ser enxergada, não ser ouvida, não ser sentida nem tocada. Essa sensação horrível de completa inutilidade, essa dúvida que paira na minha mente sobre o quão boa sou, o quão interessante, importante... Será que não fui feita pra amar? Ou melhor, será que não sou digna de ser amada? Enquanto espero pela resposta, vou quebrando a cabeça ao sabor dos meus desamores.

c.t.

SENRYU.

Se todo sofrimento,
é da vida passar,
só nos resta acostumar.

c.t.

Tudo tem seu fim.

Por fora, emocional inabalado,
compreensível, confortável, conformado.
Por dentro, tudo inteiro atormentado,
esgana e tortura sofrer calado.

Mal sabe o quão intensa a dor que brado,
no ai da minha boca mal falado,
saber por mim não teves nem pecado,
somente um bem querer desmiolado.

Por fim, o sentimento abandonado,
não quer, mas por me ter paralisado,
em algures do meu peito está firmado,
e o fim do sofrimento enfim, findado.

c.t.

Poeticamente dividida.

Existem dias em que estou assim...
Ativa, propulsa,
Com vontade de ser e fazer mil coisas.
Tenho ânimo pra tudo.
Até escrevo algumas linhas felizes,
falando de coisas que com certeza não entendo.
Mas acho tão bonito, que continuo escrevendo.

E existem os dias em que nem o nada eu quero.
Os dias em que não queria existir.
Mas nesses dias também consigo escrever.
Melancolias,
obscuridades,
torturas,
que falam de coisas que com certeza eu entendo.
E acho tão bonito, que continuo escrevendo.

c.t.