Enfim, o amor deixou de ser comovente, não envergonha mais. As pessoas pararam de se render à boa vontade, ao carinho e ao cuidado. A quantidade de sentimentos bons que você demonstra à alguém é igualmente proporcional ao quão estúpido você vai parecer aos olhos desta pessoa. Que estranho e que lástima. Foi-se o tempo em que insistir, persistir, se doar e se preocupar, valia a pena. Essas ditas emoções de urgência e emergência (paixão, tesão, atração e tantas outras tão menos importantes) que as pessoas prezam hoje em dia tomaram espaço aos murros por entre as coisas puras de se levar no peito. E o correto, sem suporte, se encolheu, com medo da repressiva. Ignorar é preciso, machucar é necessário, fingir é essencial. A moda agora é fazer jogos, pisotear e parecer não se importar. Acredite ou não, esse é o novo método de conseguir aquela pessoa amada em 20 dias. E funciona. Parece até propaganda de remédio milagroso, mas não se engane, é diagnóstico de doença incurável. Vejo gente de coração limpo se curvar ao sofrimento em nome de sentimentos falsos enquanto outras desperdiçam ou passam distraídas por sentimentos verdadeiros. Jóias são jogadas constantemente no lixo, enquanto pedaços de carvão são julgados pedras preciosas. E até eu, que me acho uma mulher muito bem estruturada, virei catadora de preciosidades no lixão de sentimentos (in)úteis.
c.t.
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