quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Interrogação.

Pensando.
Na madrugada,
solitária,
me questionando.
Porque não fui,
por quê não sou,
por quê não serei.
Será que não fui, porquê não era?
Será que não sou, por quê não é pra ser?
Será que nunca serei, por quê não sou?
O que será?
O que há de haver?
Nesse passado que nunca aconteceu,
nesse presente tão turbulento,
e nesse futuro que tanto sonho e que talvez nunca aconteça?
Não fui,
não sou,
não serei?
Não sei.

c.t.

domingo, 23 de novembro de 2014

Confusão mental.

Sinto-me inchar, entupir,
sinto-me para desmaiar,
tentando abstrair.
Abstrair-me de mim,
tentando pôr fim,
em histórias sem nexo.
Contemplando interior, assim,
num emaranhado complexo.
É um, mas também são outros,
é um que se acaba em outros,
é cada um e tantos outros,
todos, dentro de mim...
(...)
Pirei!
Deu confusão mental.
Estou perdida no poema...
Igual na vida real.

c.t.

Anestesia.

Vácuo.
Vazio.
Abster-me de calor e frio.
Nada de alento.
Foi-se o sentimento.
Nem um milímetro de arrepio.
Quando penso, nada penso.
Prefiro até nem pensar.
O gosto amargo,
do resto do afago,
com enjôo do cheiro,
me faz delirar.
Quando penso que há,
vejo que nada mais.
Nem sol, nem alegria,
nem guerra, nem paz.
É lá,
na tristeza de um mundo vazio,
que nosso amor jaz.

c.t.

Saber do dia-a-dia.

A gente vive todo dia pra aprender que as pessoas não são exatamente como a gente pensa... E que idealizá-las só aumenta ainda mais a nossa decepção.
A gente vive todo dia pra aprender que as pessoas vão passar por cima da gente, sem dó nem piedade, falhas de bondade e ruins de coração.
A gente vive todo dia pra aprender que as pessoas não se importam com os nossos sentimentos e vão nos manipular, nos enganar e nos maldizer em prol de razões tão mesquinhas.
A gente vive todo dia pra aprender que apesar de querermos tão bem ao próximo e esperar um pouco de reciprocidade, as expectativas correspondidas nunca serão iguais ou melhores que as minhas.
A gente vive todo dia pra aprender que algumas pessoas não são verdadeiras no que sentem e no que dizem e com toda a certeza irão te iludir.
A gente vive todo dia pra aprender que certas pessoas são tão egoístas ao ponto de te prenderem sem nenhum afeto e nunca te deixar partir.
A gente vive todo dia pra aprender a inverter prioridades, procurar sinceras verdades, harmonia e simplicidade.
A gente vive todo dia pra aprender a deixar de compreender as razões e finalmente nivelar as importâncias.


c.t.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ser mulher.

Ser mulher é ser fogo, desejo, ter chama no olhar.
Enfeitiçar num instante,
ser charme, encanto, beleza,
interior ou exterior,
é só querer, e conseguirá.
Ser mulher é saber dosar,
o batom, o tamanho da roupa,
a intensidade do olhar,
a mão no cabelo na hora certa,
a cruzada de perna na hora exata,
o sorriso que mata de amores aquele que a mirar.
Ser mulher é ser fatal,
mas na hora certa ser carinhosa,
por vezes ser segura, outras perigosa,
ser mulher é arriscar, sem medo de errar,
para ter aquilo que se gosta.
Ser mulher é se entregar de corpo e alma ao sentimento,
ser intensidade em cada momento,
ser mulher é usar salto alto e ter passos firmes,
e ao mesmo tempo ter leveza ao caminhar.
Ser mulher é ser leoa,
é brigar por cada conquista,
matar pela sua cria,
enfrentar os desafios sufocantes do dia-a-dia,
sem amolecer, nem entristecer, nem desanimar.
Ser mulher é uma dádiva.
É ser uma deusa de verdade.
Mulher: símbolo único de infinita divindade.

c.t.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Que poeta sou eu?

Existem os poetas da alegria,
e os poetas da agonia.
Os poetas da dor e os da felicidade,
os poetas da mentira e os da verdade,
os que falam da bondade,
os que falam da maldade,
uns que falam da velhice,
outros da jovialidade.
E eu?
Que poeta sou eu?
Do que falo?
O que sinto?
Do que é feita minha energia?
Assumo, desmascaradamente:
sou a poeta da melancolia!
É o que me move,
o que me inspira,
o que me faz ser natural,
foi em minha mais profunda tristeza,
que desenvolvi meu instinto poético sentimental.
É dela que me alimento,
é nela que me fortaleço,
ninguém merece ser triste,
eu sei, também não mereço!
E não é por ser dela poeta,
que vivo o tempo todo assim...
Mas é através dela que encanto,
com minhas palavras,
até com meu pranto.
Então te peço tristeza,
se faça presente em mim,
que seja bela, de todo jeito,
na prosa ou poesia, enfim.

c.t.

A raiva e a felicidade.

A raiva contida,
em si só percebida,
por vezes criada,
me é mão estendida,
em hora precisa:
na dor da partida,
pra ser despedida,
e curar ferida,
daquele que avisa,
que é pura maldade,
e que na verdade,
nem bem me queria.
Só mal se fazia,
do amor egoísta,
bem falso, fascista,
eterna conquista,
do que nunca quis.
E eu enraivada,
com dor enraizada,
não quero mais nada,
se não, ser feliz.

c.t.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

SENRYU.

Enquanto um for apenas um,
nunca haverão dois,
na vida de nenhum.

c.t.

Forró, minha vida!

Procurei uma paixão verdadeira,
que por ela tivesse puro encantamento,
na qual pudesse despejar meu interior,
e que me tomasse toda, inteira por dentro.

Que fosse simples, nada muito rebuscado,
mas que fosse feita com carinho, com extremo cuidado,
e enquanto fosse feita com pureza,
deixaria uma herança, um bom legado.

E então surgiu: primeiro conheci a melodia,
logo me apaixonei, foi de pronto sintonia,
letra, música, som e alegria,
forró, xote, xaxado, baião...
Que mais haveria?

Enlouqueci com o ritmo, pirei no compasso,
como é que pode, apenas três instrumentos,
fazerem tanto estardalhaço,
e reunir (e unir) tantas pessoas em um pequeno espaço?

Quis ir mais fundo, conheci a cabrueira,
gente boa que me acolheu de sorriso aberto,
me ensinou, me deu valor, me levou ainda mais pra perto,
daquela que seria uma rotina de vida costumeira... dançar forró a noite inteira!

E fazer charme, e fazer graça,
pro rapaz que observa, pra moça que passa,
fazer carinho, rosto com rosto,
dançar coladinho, mão no pescoço, sensação de ninho, acolhimento,
relação de puro envolvimento e perfeição.

Pois em cada nota que ouço existe um sentimento bom,
em cada música nova que escuto existe um momento único,
só meu, só de vocês, de intensidade corporal,
de liberdade existencial, de encantamento e pura emoção...

E posso dizer com propriedade,
que variando entre a música e a dança,
finalmente encontrei minha paixão.
Forró: movimentar os pés,
usando o coração!

c.t.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Ser supremo.

Há tanta coisa que existe,
que eu não compreendo,
ou na verdade, alheia, nem me atento.
Coisas do tempo,
coisas do cosmos,
coisas da vida e da morte,
coisas do azar e da sorte,
coisas do vento e de dentro.
Talvez jamais as entenda,
tão limitado seja meu entendimento,
ou então se revelem à mim,
como num sopro de pensamento,
porém insistente, imponente,
tal como um alumbramento,
que eleve o corpo e a mente,
tornando-me ser supremo.

c.t.

domingo, 16 de novembro de 2014

Paixão de ocasião.

De repente encontrar,
num destino esperado,
magicamente amar,
encontrar ser amado,
começar sem pensar,
quando se desejado,
num sentir, num olhar,
num suspirar, num sentido,
numa mesa de bar,
num drinque, numa batida,
numa beira de mar,
brisa boa, som de vida,
simplesmente apaixonar.
Coração acalmar,
curar ferida,
seja aqui, seja lá,
mas que quando começar,
que seja por toda a vida.

c.t.

Poema do meu querer.

Não te peço que entenda minha revolta,
não quero que seja muralha em minha volta,
te peço que não me julgue,
e não exijio que me mereça,
não concordo que me solucione,
muito menos que se compadeça,
te imploro que não me redome,
tampouco que me abandone,
nem que enxugue minhas lágrimas,
nem que cure minhas mágoas,
não quero que sinta pena,
nem que seja tão pequeno,
não quero que me bajule,
te peço que não se anule,
preciso que seja autêntico,
não precisa ser tão quântico,
nem quero que seja santo,
só peço que tenha alento.
Só peço que tenha canto,
que venha todo,
que seja encanto,
que tenha cuidado,
e não esteja fadado a ser desalento.

c.t.

A maldade que volta.

É tanta gente que diz que me ama, e me engana,
é tanta gente diz diz que me quer, e some,
é tanta gente que me desfere elogios, e me apunhala pelas costas,
é tanta gente que diz que se interessa, e me joga fora,
é tanta gente que diz que quer minha alegria, e me faz ficar triste,
é tanta gente que diz que pensa em mim todo dia, e nem lembra que eu existo,
é tanta gente que diz que eu valho a pena, e me arranca o valor,
é tanta gente que diz e que diz, e não diz nada... Que horror!
É tanta gente mesquinha,
é tanta gente vazia,
é tanta gente sem alegria,
é tanta gente tão sem noção,
é tanta gente sem coração,
que eu perco a direção,
me confundo na minha certeza,
me pergunto que natureza,
faz um ser humano maltratar um irmão!
Se não me quer, não me engane,
não me maltrate, não me julgue mal,
cuidado com suas atitudes,
seja brando, mude,
ou vai se acabar no final.
Porquê a vida não perdoa a maldade,
te trás de volta, pior ou na mesma igualdade,
e te cobra muito mais caro por ter emanado tanto mal.

c.t.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Aluei.

A lua amarelada,
da janela, pela estrada,
para mim sorri.
Me mostra,
pelas nuvens entremeada,
que há vida noturna na estrada,
que existe um mundo dentro da noite,
que nunca vi.
Tal noite profunda, calada,
árvores negras, mata fechada,
céu carregado, espesso,
vozes veladas,
mato que guarda segredos,
que só são revelados,
diante da curiosidade,
que a própria me trás.
E a lua, tão amarelada,
impera, reina,
majestosa e clara,
parece que sabe,
que a noite me cabe,
me inspira e me invade,
e me enche de paz.

c.t.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O tempo e a vontade.

São exatamente 04:41.
Sono? Não sinto nenhum.
Mente em você,
corpo em você,
mas espera,
onde está você?
Queria aqui,
queria já...
Corra!
Não posso esperar!
Não posso aturar,
tanto sentimento errado,
o que foi que aconteceu no nosso passado?
Penso, repenso,
mais uma vez,
e já vai dando 04:43.
Veja, aliás, sinta,
me sinta,
inteira,
não minta pra mim,
seja inteiro também,
ou é isso ou é fim.
Mas volta,
bate de novo á minha porta,
não consigo resistir...
Senhor! São 4:47,
eu preciso ir dormir!
Mas a mente está em você,
o corpo está em você,
quero você,
e às 04:49 começo a perceber,
que o tempo continua a passar,
mas nunca vai se acabar meu querer...

c.t.

Te sinto.

Te vejo,
corpo estremeço,
me toca,
toda amoleço,
me beija,
elevação,
me aperta,
puro tesão,
respira em mim,
me arrepio,
me adentra,
some o vazio,
me enche,
transbordo fervor,
me ame,
pra sempre, por favor.

c.t.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Errata.

Correndo feito louca,
desativando status,
removendo rostos,
desvanecendo retratos,
que nunca foram tirados,
talvez por serem fadados,
a não serem guardados,
e sim rasgados,
da minha memória sensata.
Faço de ti, com todas as letras,
minha mais doída errata.

c.t.

Todo sal.

O barulho ensurdecedor do silêncio que habita em meu ser,
segue emudecendo palavras,
transparecendo-se em lágrimas,
num entretempo que demora demais de correr.
Entre o avesso do certo e o verso do incerto,
eu sou só o que há,
pura, dissonante, empobrecida,
buscando fôlego,
me afogando em vida,
atravessando a cidade,
inerte, pedindo piedade,
balbuciando rios de verdade,
pois sal também é falar.
Sal é gritar, sal é implorar.
Sal é suplicar pra você não me matar...
Por favor,
não sinta, não fale, nem peça.
Apenas me deixe chorar e sonhar.

c.t.

Auto-contestação.

É isso.
Não posso.
Não devo.
É errado,
percebo.
Beleza.
Passou.

(Não,
espera!)
Para,
já era!
Chega!
Garota,
não adianta!
Acabou.

c.t.

Oração do esquecimento.

Se não for pra ser, que o tempo leve.
Que as horas passem depressa,
que a saudade seja amena,
e não machuque ainda mais o peito que desespera.
Se não for pra ser, que o tempo apague.
Que as lágrimas sequem,
que as lembranças sumam,
e que nada mais o impeça de correr em busca da felicidade.
Se não for pra ser, que pare de doer.
Que o vazio na alma seja preenchido com amor,
que a sensação de esmagamento e frio se transforme em toneladas de calor,
que as dúvidas virem certezas,
que o tão esperado perfeito apareça,
trazendo só calmaria e paz...
E que eu não me permita sofrer,
nem chorar, nem me entristecer,
por nada e ninguém, nunca mais.

c.t.

Oração pra vida continuar.

É no meio da minha bagunça, que me acho.
É chegando ao meu transbordo, que abro espaço.
É no meio do meu tormento, que a calmaria se faz.
É sentindo inquietação, que encontro a minha paz.
É no extremo cansaço, onde maior força exalo.
É no meio de tanta mentira falada, que minha verdade calo.
É na profunda tristeza, que de novo me faço alegria.
É vivendo na mesma mesmice, que renovação me faço todo dia.
É chegando ao fundo do poço, que pego impulso para me elevar.
É somente acumulando mágoas, que consigo perdoar.

c.t.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Tanta saudade.

Saudade é sentimento amargo,
só surge em momento improvável,
nos lugares mais desconfortáveis,
em meio a felicidade,
andando pela cidade,
passando por lugares,
em lembranças de momentos que compartilhei,
em quarto, em cheiro, em pele,
em boca, em interior,
em derme,
epiderme,
hipoderme,
tem saudade até onde não se deve,
saudade da areia,
saudade do movimento,
saudade do sentimento...
Saudade do que aconteceu!
E do que nem sei se vai acontecer,
mas acaba que sem nem perceber,
percebo que minha saudade se resume a você.

c.t.

Dura realidade.

Sonhei contigo.
E no sonho, me dizias tanto,
coisas que eu desejo ouvir,
coisas que fariam meu coração tremer de emoção,
mas na confusão do despertar,
a realidade teve ainda mais impacto,
pois tateando pela cama,
e te procurando pelo quarto,
percebi que era somente um sonho, de fato.

c.t.

domingo, 9 de novembro de 2014

Nossa receita.

Te preciso. (Ato conciso de querer sempre perto.)
Te vejo. (Acalmar o tormento da distância e do incerto.)
Te sinto. (Internalizar sentimentalmente o ser desejado.)
Te perco. (Partida não autorizada do indivíduo amado.)

c.t.

Olhos coloridos.

Me miram.
Me atiçam.
Me fitam.
Me incitam...
Me irritam.

Olhos coloridos transfigurando fogo,
queimando tudo o que há dentro,
incinerando instantes,
se alastrando até o centro,
se fundindo com minha carne,
com meu ventre mal intencionado,
com minha boca e esse batom vermelho mal passado,
com as lembranças do teu gemido em meu ouvido,
com minhas lágrimas, meu suor e meu peito doído,
com a pele roxa, a mordida doce,
mão pesada, fala mansa,
fôlego que cansa, final de transa,
cabeça no peito e coração sem jeito,
olhar fulminante que em mim causa medo,
pois através desses olhos coloridos,
te preciso, te vejo, te sinto e te perco.

c.t.

Natureza morta.

Preciso dormir.
Mas a cabeça pensa,
o coração repensa...
Vale mesmo a pena,
me sentir assim?
Atordoada, sem entender nada.
Suas atitudes, uma charada!
E me fazem imaginar...
O que você faria,
se estivesse em meu lugar?
Nada?
Ou deixaria rolar?
Suas intenções eu conheço,
acontece que eu não mereço,
ser sempre a opção do fim.
Só aparece quando nada mais da certo,
quando quem você realmente quer não está perto,
é muito difícil pra mim.

(O que a gente sente,
é como uma flor,
que brotou de dentro,
puro sentimento...

Cortaram-lhe o caule,
puseram-lhe numa jarra,
esperando mantê-la sempre linda assim...

Mal sabiam eles,
que com o tempo apodrece,
morre, desvanece...
Até as mais belas flores tem seu fim.)

c.t.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Memórias de um Forró.

Te vi de perto,
sorriso aberto,
contive o encanto,
mas algo em mim havia desperto,
novamente iria te encontrar.
Te vi de longe,
e de lá de baixo,
foi novamente encanto...
Era um sorriso que vibrava,
uma voz que cativava,
mãos certeiras,
toque e canto.
Lá pras tantas,
tomei coragem,
e um pouco tonta,
te chamei pra dançar.
Mão na nuca, mão nas costas,
enquanto a gente rodava,
sentia meu mundo girar.
Parece que tudo era fluido,
não havia chão,
nem música,
nem sentido,
nem corpo,
nem vida,
nem cheiro,
nem ar.
(Mas não tinha mesmo ar!)
Faltou, quando você me apertou,
e em meu ouvido começou a cantar.
"Morena..."
Foi só o que consegui identificar.
Dali a diante, completamente inebriada,
nada mais parecia importar.
Foi quando a música acabou,
e a gente se separou,
enfim, tudo voltou pro lugar.
Mas entre todas aquelas pessoas,
mesmo de longe,
não paramos de nos olhar,
e desejar de novo dançar...
Foi quando a festa acabou: e agora?
Eu tinha que ir embora!
Não havia como ficar!
"Fica!", pedia manso,
e eu com agonia e pranto,
lhe disse: "Vou retornar.".
Voltei!
Outro dia, outro lugar,
outro forró, lindo luar,
cheiro de areia, brisa do mar.
De novo rodamos e nos apertamos,
aquela vontade de nos ver matamos... Ah!
Mas algo faltava, para completar.
E enfim, juntos dois corpos,
finalmente sem vergonha expostos,
dançando um manso xote,
a se beijar...

c.t.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

São nada mais que.

Me diz que não vale a pena sofrer,
nem chorar, nem me entristecer...
Me diz que não se deixa sentir,
assim por nada e ninguém.
Me diz que sou valiosa,
de certo maravilhosa,
e não quer me ver sofrer assim.
Me diz com toda a firmeza,
que não é o melhor pra mim.
Me deixa e me arranca tristeza,
mas nunca se deixa ser fim.

c.t.

Te sentir... Me sentir.

Tanto te quis aqui,
junto a mim,
te sentir, te tocar,
te entrelaçar,
te enlouquecer...
Tanto desejei,
que ardeu, queimou,
me desestruturou,
descompassou minha decisão,
despejei suspiros em vão,
lágrimas cairam então...
É agoniante,
resistir-se do desejos mais profundos do coração.

c.t.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dança da chuva.

Nuvem se precipitando em gotas...
Olho se precipitando em lágrimas.
É tanto sal, é tanto doce...
O que molha e o que lava,
jorrando sobre o mesmo tempo.
Olho pela janela,
céu choroso e sangrento.
Olho fundo, lá dentro,
e transbordo...
me afogo em profundo sentimento.

c.t.

Lágrimas disfarçadas.

E dentro do carro,
era tanta lágrima,
que eu nem sei de onde saia.
Mas aquele choro velado fluía,
em silêncio,
Sem desespero.
Um aperto,
no peito,
escorrendo,
cachoeira por dentro,
em lágrimas,
engolidas,
salgadas,
amargas,
disfarçadas. - Indyara Ribeiro.

(E transcrevendo acontecimentos tão nossos,
viro espelho de teus salgados olhos...
c.t.)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O jogo.

Se movimenta, se estreita,
se esgueira por entre o aperto,
tenta do outro, tenta do jeito,
fingindo ou não, ser capaz.
Em meio a tantas luzes,
na mesa e na cadeira,
um desafio se faz.
Me diz que sou tua sorte,
me beija, procurando norte,
concentra, mira, sagaz.
Ganha de novo,
(tanto eu, como o jogo),
mas toda sorte tende a acabar.
Se algum dia dei sorte no jogo,
em contrapartida, no amor fui azar.

c.t.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Um simples verso de brevidade.

Se quiser ficar,
sê bem vindo.
Se quiser partir,
vá saindo.
Só não fique parado,
no meio da porta,
atrapalhando o caminho...

c.t.

Ingratidão.

Quantas vezes fui porto seguro,
abrigo, calmaria, compreensão.
Quantas vezes suportei teus erros,
perdoei seus deslizes,
em nome do coração.
Quantas vezes tomei pra mim tua dor,
e senti todo dessabor,
da tua mera ignorância.
Quantas vezes sofri calada,
e chorei, amargurada,
ao sentir nossa distância.
Quantas vezes me vi solitária,
na imensidão dos meus lençóis sujos.
Quantas vezes ouvi tão perplexa,
a intensidade dos teus absurdos.
Quantas vezes pedi que escolhesse,
entre mim e o avesso,
entre o céu e o chão.
Mas me deste somente revolta,
o fel da derrota, e ingratidão.

c.t.

domingo, 2 de novembro de 2014

Raiz morta.

Luto pra não lembrar com tristeza das coisas que foram embora da minha vida, mas não adianta.
Pois a maioria de tudo o que se vai de mim não tem consentimento,
é sempre arrancado pela raiz,
e vai levando tanta coisa importante junto...
Pedaços da mente, do corpo e do coração,
pedaços da alma,
partes de sonhos,
de desejos,
realizações pessoais,
pedaços vivos e pulsantes de mim.
Pedaços que não queria que morressem assim...

c.t.

O vazio.

No princípio, é puro.
E é preciso haver,
para que dele surjam,
características do ser.
Mas e quando existe só,
vazio, puramente vazio?
Perceber-se completamente oco,
ou entupido de coisa nenhuma,
cheio do que não apetece,
do que não transborda,
do que não causa calor.
Ser vazio por vazio estar,
ou vazio de sentimento ter.
Pois frio, também é vazio.
É tristeza, é incerteza,
encolhimento, solidão.
Vazio de medo,
vazio até de preenchimento,
pois o que um dia esteve foi-se,
deixando você só, no meio do salão,
perguntando-se o motivo de tanta solidão,
pra que serve esse buraco, dentro do meu coração?

c.t.

sábado, 1 de novembro de 2014

Velha rotina.

As lembranças vem e vão. Volta e meia me pego pensando no teu jeito, naquele sorriso bobo que você exibia quando eu dizia alguma coisa engraçada, no teu jeito meio esquisito e também meio afixionado de arrumar o cabelo pra sair. Volta e meia me pego pensando nas ligações, nas conversas, nas viagens, nas brincadeiras, no embalo da música, no jeito menino e ao mesmo tempo responsável, no beijo, no cheiro, no corpo... Enfim. Volta e meia acordo pensando em ti, volta e meia dormindo, sonho contigo. Volta e meia surge a vontade de te procurar, de conversar, de novamente rir das bobagens e de novo estar perto de ti. Volta e meia me pego pensando no que foi e no que poderia ser. No que poderia ter sido... No que poderíamos ter sido. E de volta em meia em volta em meia, lembro-me que tudo é um sonho e que preciso esquecer.
[Boa noite, meu bem, adoro você...]

c.t.