Procurei uma paixão verdadeira,
que por ela tivesse puro encantamento,
na qual pudesse despejar meu interior,
e que me tomasse toda, inteira por dentro.
Que fosse simples, nada muito rebuscado,
mas que fosse feita com carinho, com extremo cuidado,
e enquanto fosse feita com pureza,
deixaria uma herança, um bom legado.
E então surgiu: primeiro conheci a melodia,
logo me apaixonei, foi de pronto sintonia,
letra, música, som e alegria,
forró, xote, xaxado, baião...
Que mais haveria?
Enlouqueci com o ritmo, pirei no compasso,
como é que pode, apenas três instrumentos,
fazerem tanto estardalhaço,
e reunir (e unir) tantas pessoas em um pequeno espaço?
Quis ir mais fundo, conheci a cabrueira,
gente boa que me acolheu de sorriso aberto,
me ensinou, me deu valor, me levou ainda mais pra perto,
daquela que seria uma rotina de vida costumeira... dançar forró a noite inteira!
E fazer charme, e fazer graça,
pro rapaz que observa, pra moça que passa,
fazer carinho, rosto com rosto,
dançar coladinho, mão no pescoço, sensação de ninho, acolhimento,
relação de puro envolvimento e perfeição.
Pois em cada nota que ouço existe um sentimento bom,
em cada música nova que escuto existe um momento único,
só meu, só de vocês, de intensidade corporal,
de liberdade existencial, de encantamento e pura emoção...
E posso dizer com propriedade,
que variando entre a música e a dança,
finalmente encontrei minha paixão.
Forró: movimentar os pés,
usando o coração!
c.t.