sexta-feira, 31 de outubro de 2014

De mudança, enfim.

Preciso mudar, deixar de ser.
Mesmas decisões erradas, mesma insistência tola.
Preciso parar de procurar igualdade,
mudar o querer, querer o melhor...
(É uma falsa felicidade aprisionada nos trejeitos do outro.
Querer.
Aquele sorriso, aqueles gestos,
aqueles olhos, aquele corpo,
aqueles gostos, aquela mão,
aquele rosto, aquela maresia...
Onde encontrar? Como igualar?
Dá para se aproximar?)
Buscar mesmisse em outro lugar e encontrar, é novamente me enganar.
E difícil mudar, mas preciso tentar.
É tão difícil ver quem a gente gosta partir... Mas precisando ir, vá.
E o que resta no fim é ter a certeza de que é mudando as atitudes que o tão esperado chegará.
E que venha pra finalmente ficar.

c.t.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Decisão.

"Te ver e não te querer,
é improvável, é impossível.
Te ter e ter que esquecer,
é insuportável, é dor incrível..."

Te quero,
é improvável te ter.
Quanto ao bendizer que isso envolve,
é independente de sucesso.
Tarefa é do peito, poder te esquecer.
Te quero,
mas não sendo assim,
se der quero corpo e alma, inteiro pra mim.
Se não, deixa ser fim.
A cabeça está no devido lugar.
O coração? Queria ser o lugar.
Então por quê não, o que há?
Outra há.
Outras mais.
"Outras" que certamente não findem jamais.
Mas me cega; e egoísta, me prende...
Por quê não ficas, meu bem, o que impede?
Desculpas são tantas e tamanhas,
me afetam, me arrancam paz,
e sinto-me espremida entre o vá embora e o fique um pouco mais.
Fique em paz!
Fique em lembranças,
em coisas,
em sonhos,
que a cada despertar de ti me lembram um pouco mais...
Fique em saudade: de um tempo que se foi,
em desejos: de colecionar memórias que nunca vão acontecer,
mas que em mim sempre vão ocorrer.
(E se algum dia quiseres viver,
cá estou, pronta pra te receber.)

Desculpa mas diante dos fatos,
mesmo te querendo,
preciso te esquecer.

c.t.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Lixão de sentimentos úteis.

Enfim, o amor deixou de ser comovente, não envergonha mais. As pessoas pararam de se render à boa vontade, ao carinho e ao cuidado. A quantidade de sentimentos bons que você demonstra à alguém é igualmente proporcional ao quão estúpido você vai parecer aos olhos desta pessoa. Que estranho e que lástima. Foi-se o tempo em que insistir, persistir, se doar e se preocupar, valia a pena. Essas ditas emoções de urgência e emergência (paixão, tesão, atração e tantas outras tão menos importantes) que as pessoas prezam hoje em dia tomaram espaço aos murros por entre as coisas puras de se levar no peito. E o correto, sem suporte, se encolheu, com medo da repressiva. Ignorar é preciso, machucar é necessário, fingir é essencial. A moda agora é fazer jogos, pisotear e parecer não se importar. Acredite ou não, esse é o novo método de conseguir aquela pessoa amada em 20 dias. E funciona. Parece até propaganda de remédio milagroso, mas não se engane, é diagnóstico de doença incurável. Vejo gente de coração limpo se curvar ao sofrimento em nome de sentimentos falsos enquanto outras desperdiçam ou passam distraídas por sentimentos verdadeiros. Jóias são jogadas constantemente no lixo, enquanto pedaços de carvão são julgados pedras preciosas. E até eu, que me acho uma mulher muito bem estruturada, virei catadora de preciosidades no lixão de sentimentos (in)úteis.

c.t.

domingo, 26 de outubro de 2014

Manual de auto-intensidade.

Eu, intensa, tenho atitude na mente, dependência de amor e coração aberto para o inesperado. E não mereço pouco! Nem tampouco ser entrelinha em certas histórias paralelas que estão sendo escritas. Desejo ter minha própria história, ser meu próprio enredo real, sem jogos ou chames, truques ou máscaras. Sou verdadeira! Não tenho vergonha de querer, de decidir, de ir, de ser, de agir. Não tenho vergonha de parecer precipitada, não tenho vergonha de parecer desesperada por uma demonstração de afeto qualquer de qualquer pessoa que vier. Quero viver! E quero sentir que o outro também quer viver! Quero demonstrar, saborear, degustar cada momento, aproveitar cada gota de sincero sentimento desse imenso mar de desapego e ilusão contemporâneo.
Sim, sou profunda, mas de forma alguma almejo me magoar. Aprendi a emanar estritamente o necessário para aqueles muitos que não conseguem suportar toda essa minha profundidade, e mudam. E fogem de mim. E desaparecem. E para os intensos como eu não há pior decepção que descobrir que se deu demais, para quem se doou de menos. Portanto, com propriedade, afirmo: é triste ser profundo em sua própria existência sentimental e ter que viver boiando na superfície dos sentimentos alheios. Não sei ser porto seguro de barco sem rumo. Se for para atracar, venha com certeza, me escolha, me permita ser quem sou, do exato jeito que sou, me permita doar o que tenho, pois sendo assim tenho muito à oferecer.
Procuro nada mais que alguém que reme ao meu lado na contra mão da maré, quebrando as rasas ondas e esteja pronto para mergulhar comigo a qualquer momento, até atingir nossa própria imensidão, mesmo que a pressão nos sufoque e acabemos à deriva... Procuro alguém que sintonize na minha frequência, que esteja disposto a se entregar, a me entender e me espelhar. E se esse alguém não for capaz de compreender a densidade e a maturidade dos meus sentimentos, nunca vai poder se tornar a completude da complexidade das minhas emoções.

c.t.

Importante-se.

Só queria alguém que me ouvisse.
Não importa quem seja.
Ouvir o que tenho a dizer sobre o tempo,
o espaço, e os corações partidos.
(Principalmente sobre os corações partidos.)
Talvez, fizesse alguém se importar com o que sinto.
Mas parece que ninguém se importa,
não importa quem seja...

c.t.

Dermo-pigmentação.

Fiz uma tatuagem para eternizar em mim dias em que tudo era sofrimento e só existia a dor.
E a dor que sinto ao olhar a tatuagem me lembra que não quero me lembrar destes dias.
Ainda assim, fiz uma tatuagem para registrar em mim dias que quero esquecer.
Fiz uma tatuagem para nunca mais me esquecer de dias que nunca mais quero lembrar...

c.t.

Fantasiando o novo querer.

Fisicamente falando,
qual seria o contra?
O pró é arriscar pra sentir prazer,
então, baby, medo de quê?
Se o corpo incita,
o movimento sugere,
e a anatomia é propicia?
Sentindo encorpar o desejo,
me jogo, me entretenho, mordisco.
Balbuciando direções,
induzindo ao inevitável,
comandada pelo flamejar da carne.
Completamente enfurecida pela nova sensação,
ansiando pelo gozo das novas descobertas,
vou tentando convencer e devorar você.

c.t.

sábado, 25 de outubro de 2014

A vida e o tempo.

Que vida é essa?
Que nem bem estréia e já tende a findar,
não nos permitindo conquistar,
em tudo faz decepcionar,
impedindo a gente de caminhar...

Que vida é essa?
Que escolhe bem poucos pra acalentar,
e alguns, parece que gosta de ver penar,
e sofrer, e chorar, e se culpar,
no vazio procurar se abrigar,
nos outros, não mais confiar,
do universo querer se afastar...

Que vida é essa?
Que arranca de nós o que há de melhor,
apaga sorriso e faz nó,
criando fundo em nós mal pior que pode haver,
e faz um fim de linha almejar:
deixar se acabar ou subitamente morrer...

Que vida é essa?
Será que é a única que há?
Não existe outra onde eu possa sonhar,
me curar, repousar?
Do corpo cuidar,
a mente engrandecer,
o espírito elevar,
o coração aquecer,
as feridas lavar,
a verdade escolher,
junto aos meus, celebrar,
perdurar, perecer,
e assim ver passar todas as eras do tempo,
enquanto houver tempo a correr...

c.t.

SENRYU.

Ser verdadeiro,
deveria ser tendência,
ser solitário, opção.

c.t.

Memória.

Tudo mudou.
Até os velhos hábitos se foram.
As melodias mudaram,
os segredos são outros.
Por sorte, os amigos são os mesmos.
Dos sonhos que tive,
poucos realizei,
os que restaram,
não faço menção de realizá-los.
Na hora do almoço,
falta um pedaço.

Os segundos correm...
Tudo em função de um tempo que se encolhe ao redor de mim mesma.

c.t.

A paixão.

Paixão de furacão,
de maré mansa,
de admiração.
Paixão não é brinquedo,
também não se deve ter medo,
faz bem pro coração.
Apaixonar-se da vida,
das artes, do tempo,
das maravilhas da natureza,
do inusitado, da beleza,
das coisas, das pessoas.
Paixão efêmera,
esquece, desaparece,
basta um momento,
pois toda paixão tem um pouco de vento,
desses que passam ligeiro,
levantando as cortinas da casa,
bagunçando os cabelos da moça que passa,
levantando a poeira do fundo da vida,
e que como tal, termina,
mas volta a acontecer na próxima esquina.

c.t.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Flyer.

O que vejo são palavras,
escritas sobre um tempo que demora demais de correr.

Ampulhetas de um destino que como todos os encontros,
acontecem na dose certa, quando tem que acontecer.

c.t.

Azul.

Sempre admirei a miragem das piscinas iluminadas pelas estrelas.
Não por ser noite,
nem por ser piscina,
mas por ser azul.
O tom, a cor, a emoção...
E apesar do profundo me despertar tormento,
- diz-se isso ser batofobia, falou ditoso o dicionário das fobias sem sentido -,
tal azul me consome,
intriga e absorve.
Quiçá um dia me afogue nele...

c.t.

SENRYU.

Evoluamos,
para que possamos estar melhor,
que onde estamos.

c.t.

Felicidade, mesmo que finde, sim.

- O dia está lindo hoje. Dá até felicidade olhar o céu com essas nuvens.
- Você sabe que não vai ser feliz todo o dia, não sabe?
(Silêncio.)
- Sei.
- Então?
- Ainda assim gostaria de tentar.

c.t.

MINI-UNI-VERSO.

Cadê quem quero,
quando impaciente quero,
que quem eu quero esteja,
querendo o mesmo que digo?

c.t.

Desmemória.

Fugindo do que não se escapa,
escapando de uma vida infame,
mais infame é a curva da estrada,
que seguindo não se acha volta,
que lembranças não encontram sinapse,
que o pulso perde todo o compasso.

Descompasso de emoções passando,
de quem fica,
enterrando abraço,
esquecendo jeito e acostumando dor.

E se o futuro do enterrar é esquecer,
esqueço em mim de ti um pedaço,
pois quem foi, levou consigo espaço,
difícil, pois, impossível preencher.

In memorian.
Thiago Santos Ferreira.

c.t.

Sabe o que eu queria agora, meu bem?

Deitar numa grama verde,
macia, cheirando a calma,
e olhar o céu.
Sentir a calma do azul,
ouvir o canto dos pássaros,
procurar formas nas nuvens,
me arriscar, sorrir até ver um coração,
desses que tem a forma que me lembra você...

Esperar que o sol brilhe mais forte,
para que eu eleve minhas mãos ao rosto,
e nessa hora imagine que você está por aí,
deitado numa grama,
sentindo, ouvindo, procurando, se arriscando, sorrindo e imaginando o mesmo que eu.

c.t.

Raramente ela.

Diante de tanta luz o sol é tão pequeno,
move-se leve a dançar,
nem que seja num instante,
seu rosto sereno, puro,
faz força minar...

Amante da natureza, dos astros, do tempo,
faz-se igual admirar,
toda vida, todo corpo em seu mundo terreno,
deseja tal qual se elevar...

Dentre as pedras mais formosas,
de valor imensurado,
faz-se jus a acrescentar,
e de todos os amantes das pedras preciosas,
Indy(rara), faz-se anelar.

c.t.

Em três, poesia mais uma vez.

A noite cai, tão voraz,
e ela traz...
Sensações e gargalhadas,
poesias embriagadas,
beberagens engarrafadas,
palavra cantada e paz.
Histórias recordadas,
memórias tão usadas,
para traduzir segredos engavetados,
e hoje revelados...
Sorrisos que refletem um tempo bom,
reflexos de um tempo bom que não floriu,
porém então abriu,
outro mundo veio,
outras perspectivas,
nunca imaginativas,
mas tão vivas nas histórias de nós três...
Nesse encontro que não será apenas uma vez.

c.t., i.r., c.c.

SENRYU em devaneio.

Teor alcoólico,
devaneando profundo,
onde estás tu no meu mundo?
O vinho encorpado entra,
a verdade seca, sai,
mas a realidade,
é que você se difere,
não vem, nem vai...

c.t., i.r.

SENRYU.

Teor alcoólico,
devaneando profundo,
onde estás tu no meu mundo?

c.t.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Curto verso.

Não o tempo todo,
de vez em quando é necessário.
Lição de vida é ficar triste,
somente os tolos pensam o contrário.

c.t.

SENRYU.

Tenha, menina a certeza,
de que velhas promessas precisam ser pagas,
para que novas sejam feitas...

c.t.

Eis a questão.

Existo de tudo um pouco.
Das sortes,
dos milésimos de acaso,
de raros dejavu's.
Alimento-me de cada memória,
de momentos soberanos,
soberbos, supérfluos,
de sonhos inacabados,
de promessas não cumpridas,
desejos, realizações,
amores não amados, traições,
futuros inesperados.

Existo de tudo um pouco?
Sim. Viver custa caro demais.
Tem amargo e doce, cada extremo,
e ainda assim não me satisfaz.
Viver às vezes é deprimente.
E só existir às vezes nem é suficiente.
Então prefiro continuar existindo,
e viver, coexistindo em paz.

c.t.

Estranhamente estranha.

Pensamentos fluentes no balde vivo da dúvida,
idéias correntes e devastadoras como água suja de enxurrada,
desafiando as leis da tranquilidade e conforto,
fazendo confusão do destino,
que caminha cego,
sem vista, nem rumo,
e só vejo um fim nublado,
como fumaça branca que acompanha o raiar indeciso de um mal dia.
E no fim de todo o tempo vou me sentindo assim...
Inerte,
insólita,
inconfiguravelmente,
estranha.

c.t.

Esperança.

Espero que os dias e noites decisivos da minha vida sirvam de viga para a sustentação das minhas novas verdades. Que essa claridade que se estreita por debaixo da porta do meu quarto me alcance e me traga de volta as boas novas e os antigos dias de glória. Que a sensação de futuro incerto, olhos inchados, coração tranquilo, calma, paz, amor e esperança que há em meu peito se solidifiquem sem manchar meu velho ar petulante de atravessar as horas. Espero que tudo mude, que o tempo passe, que o mundo gire, que os sonhos voltem, que o sorriso pereça, que as lágrimas sequem e o amor edifique os peitos pobres de vida. E que a própria vida seja um símbolo de renovação dos presentes incertos e dos futuros desperdiçados.

c.t.

Previsão.

Ser feliz a partir do ponto,
em que 3 corações se unem em alento,
e no acalento das almas,
a tempestade se acalma,
e o incerto vira todo e o todo cura a alma,
daqueles que se destinam,
sem tempo e hora marcada,
e a findar juntos, caminham,
felizes, ao longe,
mãos dadas na estrada.

c.t.

Das atitudes.

E a tal palavra mostrada,
presente não se fazia,
nos gestos de quem falava.

Perdida, se lastimava,
se em tudo, nada ocorria,
ao erro, se dedicava.

E muda, observava,
por fora, não mudaria,
quão pura ainda dentro estava?

c.t.

Saudade.

Saudade da completude,
do preenchimento,
da calmaria...
Saudade do tempo quente,
do calor interno,
da energia...
Saudade da plenitude,
da paz interior,
da sintonia...
Saudade do afago leve,
da dança mansa,
da alegria...

c.t.

Prelúdio.

Primeiro, foi o olhar. Puro, sincero, interessado. As palavras vinham fáceis, desbravar o desconhecido fazia todo sentido.

De repente, me iludiu.
Me fez querer,
depois partiu.
Promessas pífias,
das mais simples,
nunca cumpriu.
E o sentimento,
tão bonito,
se viu murcho,
não floriu.

c.t.

Camila.

É leve, é tênue,
intensa, malícia,
se veste de vida,
é só coração.

É livre, é calma,
é forte, penetra,
na profundidade,
da própria emoção.

E quando se olha,
de pronto se nota,
que tem o valor,
da mais nobre canção.

E o mais breve toque,
da nota Camila,
te ganha, te rende,
em sua doce prisão.

c.t.

Tune-up.

Quando tudo parece perdido, me obrigo a lembrar... Das coisas que vivi, das que não vivi (por não saber), das que não quis viver e das que daria tudo para ter vivido. E agradeço em boa oração por cada uma delas. Sou grata por todo flash de memória, por todo milissegundo de vida, por toda ação e reação acontecida, por toda coincidência, toda agonia, toda felicidade e toda incerteza. Pois cada um desses eventos aleatórios de vida me fez ser quem hoje sou. Se compreendo as pessoas, é porquê já tive toda sorte de experiências com elas. Se sou uma boa pessoa, é porquê aprendi com a maldade que vale a pena espalhar sorrisos pelo mundo. Se tenho histórias para contar, é porquê tive a oportunidade de vivenciar cada uma delas de forma única e extrair de todas alguma coisa que me movesse, que me impulsionasse a buscar o melhor da vida, o melhor das pessoas e principalmente o melhor de mim mesma. Sou grata à bondade do mundo, à conspiração do universo e à onipotência divina, e principalmente, sou grata por sempre poder recomeçar. E peço à essa força maior que domina o ar que respiro, que faça valer minha estadia nesse plano para que eu não me permita entristecer, para que eu não me permita desistir, para que a vida tenha ainda mais vida, dentro do meu fim e recomeço diário.

c.t.

Enxurrada.

Se fores embora não deixe vestígios,
de todas as coisas que juntos vivemos,
Se fores embora que vá como a chuva,
que limpa nos cantos, que lava os venenos…

E tal como a água, evaporaremos.

c.t.

Despertar.

Despertar de um jeito diferente,
navegar num sonho perdido,
em lembranças que aquecem o coração e a alma,
perceber que a chuva foi-se embora,
que só o imenso céu azul resta agora,
pois vale mais lembrar de quem a gente gosta, sorrindo,
do que firmar tristes partidas na memória.

c.t.

Necessidade só.

Os dias vão ficando mais difíceis e as noites, mais longas. É muito estranho perceber-me sozinha mais uma vez no universo. Abandonar os velhos hábitos, é torturante. É um combinado de não mais oi com não mais tchau, não mais cabelo com não mais pele, não mais unha com não mais boca, não mais eu e você com não mais você. Não mais você. Não mais você… Não mais. Não deu. Fui forçada mais uma vez a ser egoísta, a sentir raiva, a chorar compulsivamente. A vida tem sido bastante dura comigo… Me completar tem sido meu pior pesadelo no mundo real. E diante de tanto sentimento não correspondido, olho pra dentro e enxergo um modelo básico de existência, tomado pela configuração básica de não ser só, tomado pela necessidade urgentíssima de não ser nó, desses que quando se apertam e se esquecem, endurecem, e não há como desfazer…

c.t.

Vício.

É vício o que sinto,
te olhar.
Te ter em meu peito,
te amar.

Sentir tua pele,
me arrepiar.
No embalo de um toque,
contigo dançar.

Provar teu encanto,
a ti encantar.
Secar o teu pranto,
pra te acalentar.

Dormir ao teu lado,
contigo sonhar.
Sonhar ser teu sonho,
e em ti me acabar.

c.t.

Partida.

É, eu realmente gostei de você.
Mas quantas palavras são ditas à tôa,
sem necessidade, sem quê nem pra quê…
A gente se perde no que se mostrar,
E quando se mostra, já tarde, não dá,
Pra rebobinar ou pra recomeçar,
Pra não permitir o coração de sangrar…
Pra não se acabar sem sequer se falar.
É, eu realmente gostei de você.
Agora, sem hora, coração dispara,
e o quanto me dói não olhar pra você.

c.t.

Se flor pra ser, não seja espinho.

Devemos ser o que de melhor temos dentro,
o sumo bom extraído da alma,
desilusões fazem parte da vida,
do teu calvário, da tua estrada.

Não dê aos que não te apreciam,
o prazer de te ver sofrer,
nem tudo o que nasce pra ser ruim se torna,
o amor desarma e modifica histórias.

Não há razão nenhuma,
de espalhar mal pelo caminho…
Se flor pra ser, não seja espinho.

c.t.

Ser, é amar.

Dizem por aí que as pessoas mais corajosas são aquelas para os quais os limites não existem. Bobagem. Amar é o verdadeiro ato de coragem; o amor não foi feito para os fracos. É um dos mais puros gestos de desprendimento corporal, espiritual e sentimental. Amor é sofrimento, noites em claro, vazio no peito, coração apertado, doação por completo, engolir desaforo, ferir o orgulho, suportar defeitos, superar barreiras e crescer por dentro. O amor não é o paraíso que as pessooas vêem em fotos de festas de fim de ano e álbuns de aniversário. É muito fácil amar assim. É muito fácil ser o que o outro espera, corresponder à todas as expectativas e fazer tudo do jeito correto. Você já cometeu uma burrada imensa com uma pessoa muito querida, que não achava que teria perdão e foi perdoado? Isso é amor. Você já decepcionou seus pais e mesmo assim eles te abraçaram e te disseram que tudo estava bem? Isso é amor. Você já amou uma pessoa tão intensamente que por mais que essa pessoa te magoe, você não consegue sentir raiva dela? Isso é amor. Se você já sentiu injustiça por outra pessoa, compaixão ou solidariedade, isso nada mais é que o amor que você sente pelo próximo exalando todo através de você, por meio destes sentimentos. O amor é tremendo; e amedronta. As pessoas tem medo de sentir amor, por quê o amor verdadeiro dói. Quiçá algum dia a conquista dos homens sobre o amor se estabeleça quando todos forem seduzidos pela sua dor à nível de alma e acabem por entregar-se. Pois é somente nos entregando ao amor que acabaremos por nos curar de todo o nosso medo dele.

c.t.

Ela & ele.

É gostar.
Ao beijar, se encantar,
num instante, se completar.
Tornar-se todo, então partilhar,
caminhos trilhar,
felicidade vislumbrar,
em par, vida sonhar...

É querer.
Bendizer, renascer,
sofrimento esquecer,
um ao outro perceber,
conexões mentais verter,
pele nua, enrubecer,
com a certeza do alvorecer...

É amor.
Plenitude, calor,
arco-íris de vibrante cor,
neles pousou beija-flor,
dela, se fez defensor,
dele, herói sem temor,
sempre e pra sempre, se preciso for.

c.t.

Veja bem...

Pare e note,
cá estou eu,
porque não me vê?

Veja e se importe,
queira-me bem,
junto a você.

c.t.

Libertação.

Amanhece - não há estrangulamento,
abro os olhos e não sinto dor,
desapodero-me do que tanto quero,
descontento-me do profundo amor.

Aliviando-me do peso da não correspondência,
aceito de bom grado teu dessabor,
que modéstia a parte, não me faz carência,
não mereço pouco, não mendigo amor.

Paciência - tão se faz presente,
em coração aberto, pétala de flor,
amanhece plena, sabe certamente,
pousará de novo, nela beija-flor.

c.t.

Procura-se.

Brote em mim sereno, resignadamente,
remendando medos, frustrações e dor,
seja a salvação que da solidão emerge,
brade mais que a voz do meu silêncio ensurdecedor.

Finde esta tortura, dissipe toda dúvida,
despeje tão somente em mim melíaco sabor,
arrebate-me inteira, sê de todo encanto,
e pronto, logo o pranto, se fará louvor.

Peito e mente em caos, ansioso ventre,
derme em fogo ardente, anelando amor,
clamo pelo dia que tal bo'alma me encontre,
e, paciente, arrume meu tormento interior.

c.t.

A dor.

Uma dor amansa outra,
acabei de descobrir.
Amansa, mas não dissipa,
só se para de sentir.

Deixamos uma de lado,
pra cuidar de outro fardo,
que suga de nossas veias,
energia vital de existir.

Dor que dói no fundo d'alma,
quase não dá pra sorrir.
E em tudo se faz presente,
para de nós nunca sair.

Essa dor é mal amada,
arde, consome, estraçalha,
até que por fim não reste nada,
de nós, apenas partir.

c.t.

Me sinto só.

E por tantas vezes me senti assim. Presa em meus pensamentos, atormentada, confusa, calada, pensante. Tenho dentro de mim um furacão de sentimentos, de gosto e de desgosto, de quero e de não quero. Mas no fim, acabo querendo o que vier. Por quê tenho medo da solidão. Tenho medo do meu quarto solitário, da minha cama grande e do vazio que enxergo toda vez que a olho. Não que haja a necessidade de ter alguém na minha cama, mas clamo pela necessidade de ter alguém no meu coração. O vazio não é o que me aflige, o que me aflige e me falta é alguém para entregar todo amor que tenho em meu peito. Tenho urgência de amor, urgência de doar amor, de doar carinho, de cuidar de alguém, de ser cuidada. Ainda que o amor seja dor, dói mais ainda não ter amor. Não ser enxergada, não ser ouvida, não ser sentida nem tocada. Essa sensação horrível de completa inutilidade, essa dúvida que paira na minha mente sobre o quão boa sou, o quão interessante, importante... Será que não fui feita pra amar? Ou melhor, será que não sou digna de ser amada? Enquanto espero pela resposta, vou quebrando a cabeça ao sabor dos meus desamores.

c.t.

SENRYU.

Se todo sofrimento,
é da vida passar,
só nos resta acostumar.

c.t.

Tudo tem seu fim.

Por fora, emocional inabalado,
compreensível, confortável, conformado.
Por dentro, tudo inteiro atormentado,
esgana e tortura sofrer calado.

Mal sabe o quão intensa a dor que brado,
no ai da minha boca mal falado,
saber por mim não teves nem pecado,
somente um bem querer desmiolado.

Por fim, o sentimento abandonado,
não quer, mas por me ter paralisado,
em algures do meu peito está firmado,
e o fim do sofrimento enfim, findado.

c.t.

Poeticamente dividida.

Existem dias em que estou assim...
Ativa, propulsa,
Com vontade de ser e fazer mil coisas.
Tenho ânimo pra tudo.
Até escrevo algumas linhas felizes,
falando de coisas que com certeza não entendo.
Mas acho tão bonito, que continuo escrevendo.

E existem os dias em que nem o nada eu quero.
Os dias em que não queria existir.
Mas nesses dias também consigo escrever.
Melancolias,
obscuridades,
torturas,
que falam de coisas que com certeza eu entendo.
E acho tão bonito, que continuo escrevendo.

c.t.