quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Conselho.

Quando tudo o que restar for ouvir, ouça.
Aceite. Entenda. Siga em frente.
E lembre-se que aceitar não significa entender,
e entender não significa não sentir dor.
Mas seguir em frente,
sempre vai ser seguir em frente.

c.t.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sobre bolos, bondade e sorrisos.

Sair por aí resolvendo os problemas do mundo, ajudando a todos e se anulando, se quebrando, se fudendo e se estrepando. Isso não é ser bom, é ser burro. E as pessoas andam confundindo muito ser bom com ser bobo. A bondade por si só, hoje em dia, não é mais tão gloriosa quanto parece. Quase sempre fazer bondades não significa estar fazendo o melhor pra si mesmo. E me desculpe chegar dessa forma, chutando a porta desse jeito. Assusta, né? Eu sei. Portanto, sem mais delongas, decreto que serei somente justa a partir deste exato momento. Nada mais que justa. Justa tipo: não vou te dar o último e melhor pedaço do meu bolo de chocolate recheado só pra você ficar feliz. (Tá, eu sei que a coisa é mais profunda do que últimos pedaços de bolos.) Justa tipo: eu vou comer esse último e magnífico pedaço de bolo de chocolate recheado e ver o sorriso brotar fácil do MEU rosto. E quem gostar de mim vai sorrir junto comigo.

c.t.

sábado, 10 de outubro de 2015

Na moldura.

O sorriso não nega, nasceu todo felicidade. Sorriso sincero e escancarado, dado, de liberdade. Dum tipo raro de sorrir que quando vem, não tem controle. E inunda o mundo com luz. Ilumina! Deveria ser anticonstitucional fazer-te triste. Ou merecer punição, como se fosse bem errado. Ou maldade, ou ruindade, ou pecado. É sorriso pra guardar num quadro. Perpétuo, eternizado. Tristeza minha, ser a única maneira de tê-lo ao lado.

c.t.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Curta.

Ela disse:
I love you.
Ele ouviu.
Respondeu:
I'm sorry.
E partiu.
E nevermore,
ela sorriu.

c.t.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ao presente desavisado.

Depois de muitos tombos, murros e erros, passei a não escrever de caneta qualquer palavra solta. Nem me encantar demais com qualquer sorriso bobo. Tampouco acreditar em qualquer elogio barato. Menos ainda ver diamante em qualquer pedaço de vidro. Estou levando a vida mais a seco e mais a sério. Tipo, conte e prove. Faça e mostre. Jure e cumpra. Confesso sem nenhuma modéstia que me tornei muito boa nesse negócio. Estou assim, vivendo com um olho aberto e o outro também, aprendendo a avaliar com exatidão o que me cerca. Mas não pense que é por pressa. Pelo contrário: tenho todo o tempo do mundo, mas nem por isso preciso desperdiçá-lo. Que se aproveite, que seja intenso, que seja breve, mas que seja verdadeiro. O que me incomoda de verdade não é o fim, mas a certeza de que tudo não passou de fingimento e que nada foi sentido, nem bem quisto. Se for este o caso, peço que não estranhe o sumiço (até porquê não vou evaporar, continuarei aqui) mas não pago pra ver mais nada. Se achar que tem cacife pra continuar e se achar que eu valho a pena, ótimo, se não, saia correndo pela porta. Estarei fazendo o mesmo. Dando chance pro que é de verdade e abandonando sem dor a sala das coisas que não posso, não quero, tampouco pretendo ter.

c.t.

domingo, 23 de agosto de 2015

(Des)encanamento.

É que essa história de "Fui magoado e me fechei pro mundo!" nunca me desceu. Pronto, falei. Tá, você decidiu que vai jogar lama em todo mundo só porque já foi injustiçado algum dia. Agora, me responda: quem não tem nada a ver com a tua mágoa, precisa pagar também? Tudo bem, não espere, não se iluda e não se doa. Mas quando amor lhe for dado, por favor, ame. Quando cuidado lhe for dispensado, pelo amor de Deus, cuide. Vale a pena viver cheio de buracos que só vazam ódio e deixam ainda mais oca essa vida que já é escassa de sentimentos bons? Seja melhor, seja maior e (des)encane. Saia do cano, transborde amor!

c.t.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Evite transtornos.

A rotina diária daqueles que esperam não é fácil. Um café na padaria ou um simples recado de bom dia, pode ser torturante. Reciprocidade não é crime e na prática ninguém deveria se sentir tão estranho ao retribuir um sorriso. Custa muito pouco fazer outra pessoa se sentir bem e custa muito caro ser uma mágoa no coração de alguém. Era do tipo que me considerava a mais sensata das criaturas, talvez a mais bondosa, mas com toda a certeza a que pensava que jamais, ninguém, diante de tanta amorosidade, machucaria. Sendo assim, me sinto completamente cansada de disfarçar minhas feridas com band-aids cor da pele. Um dia a gente cansa. De esperar reciprocidades e de doar qualquer coisa. Declaro inviável qualquer tipo de retorno. Por favor, evite transtornos, não espere mais nada de mim.

c.t.

sábado, 11 de julho de 2015

Deixa pra lá.

Por quê as pessoas se esquecem das pessoas? Por quê as pessoas se esquecem de mim? Sempre achei o cúmulo esquecer de pessoas importantes. Gente que esteve comigo em diversas situações e me ajudaram de tantas formas, que me fizeram sorrir, mexeram com meu coração e despertaram meus sentimentos. Me perguntava: Deus, como conseguem não se lembrar mais de mim? Não me atrevia a explicar e não me imaginava sem. Sim, eu era um poço de egoísmo, não conseguia me desligar sentimentalmente das pessoas que amava. E me entristecia profundamente quando tentava, insistia, e como resposta recebia somente silêncio e indiferença. Realmente, não devo ter feito a minima diferença. Aceitei coisas terríveis quando tinha todo direito de negar e me neguei diversas vezes quando deveria ter pensado somente em mim. Suportei erros, perdoei maldades, me doei, perdi infindas noites, estive ao lado. E mesmo assim, não foi o suficiente. Não que eu cobrasse qualquer retribuição, mas descobrir que esforço algum vale a alegria de ser marcada naquela postagem que diz "Penso sempre em você!", incomoda. Nesse instante, comecei a entender mais claramente as coisas. Nesse instante, passei a perceber que nem todo mundo se importa como me importei, pensa como eu pensei ou guarda lembranças boas como eu guardei. Nesse instante, a reza da minha vida passou a ser "Deixa pra lá!". Fulana se afastou de mim sem motivo... "Ah, deixa pra lá!" Olha, faz questão de ver todo mundo e nem liga pra mim... "Ah, deixa pra lá." Que sujeito mais sacana... "Ah, deixa pra lá." Deixa pra lá. Deixa pra lá. Deixa pra lá. Olha, esse "lá" tem tanta coisa! Tem amizade, tem maltrato sem razão, acontecimento sem noção, desprezo, lágrima e muito, muito desgosto. Ainda magoa quando lembro das faces de tantos que nem se importam se existo e que claramente não fazem a mínima questão de mim. Mas, enfim, como diz a minha reza, vou deixando pra lá. Já aprendi a esquecer quem me esqueceu. Já aprendi que tudo o que se pode deixar pra lá, não vale a pena.

c.t.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Queda-livre.

Sou muitas, sou tantas,
mas entre todas, sou o abismo,
entre o pior e o melhor de mim mesma.

c.t.

sábado, 4 de julho de 2015

Passageiro.

Trilhei infindos caminhos,
perdi-me em becos estreitos,
em vias incertas,
talhei desvios quase perfeitos.
De janelas abertas,
vento despenteando os cabelos,
a mão que guia é distinta.
Sou passageira de estórias alheias,
bem formadas,
até bem vindas,
enraizadas,
e não findas.
Atropelei destinos,
anelando fossem meus,
não sendo assim,
desvaneceram diante de mim,
sem ao menos dizer adeus.
Estava na via errada.
Descobri que não há estrada.
E não existe nada.
Nada que penso,
nada que quero.
Nada mais espero.

c.t.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Invisível.

Ando sentindo falta.
Falta de atenção,
de cuidado,
de carinho mútuo.
Ando sentindo falta de tumultuo,
de gente que more ao lado,
na primeira porta a esquerda,
na primeira casa virando a esquina,
ao alcance das mãos,
dos olhos,
do coração e das lágrimas.
Ando sentindo falta da presença.
Da conversa,
do companheirismo,
ando sentindo falta de algum sorriso,
de alguma aventura na selva,
deitar na grama,
no colo,
ou na cama,
de falar de cores,
e sentir tremores.
Ando sentindo falta de coisas que não são minhas,
e que talvez nunca serão.
Ando sentindo falta de coisas que quero que sejam minhas,
e que talvez nunca serão.

c.t.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Dreamcatcher.

Enrolo,
admiro as horas.
Pondero,
muitos são teus muros,
tuas interrogações,
e tuas demoras.
Viro-me,
sem ter norte...
fixo infinito colchão,
fronha e lençol.
Respiro profundo,
teu doce libido,
em minha mão.
Não raiou dia,
já me acho vazia,
sentindo tua ausência,
'qual não há fundamento existir.
Na falta,
moldo-me ao travesseiro,
sonhando acordada contigo primeiro,
pra depois dormir.

c.t.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Só ser.

É como se o universo me dissesse não para cada nova oportunidade que à mim surge.
Não, mesmo diante de todo sofrimento que só, suportei,
não, mesmo a cada carinho novo e verdadeiro, ainda que seja recheado só de segundas intenções.
Porquê não pode ser realidade?
Me diz porquê a mentira não pode se tornar verdade?
Não.
Comigo é só não.
Comigo é sempre assim,
desejo, depois aversão,
estadia, depois fuga,
companhia, depois solidão.
O contrário de mim sempre me prendeu,
o que não posso ter sempre me encheu os olhos,
quero o impossível,
busco o improvável,
e sofro com as respostas,
com as idas e com as decepções.
Tudo o que sempre amei, amei só.
Amei, esperando o melhor,
e findei amargando o pior.
E mesmo lutando, sofrendo, chorando e querendo mudar o rumo das coisas,
de uma vez por todas a gente acaba se acostumando com o destino que o cosmos prepara pra nós.
Então parei de correr.
Por fim, cansei de sofrer.
E quer saber?
Ando apostando todas as fichas que tenho,
que aqui, nesse mundo,
nasci pra só ser.

c.t.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

N'aqueles dias.

De tanto gosto,
nasceu tal desgosto.
(Tem Pena de Mim!)
Té que a ti maltrate,
só por ser sexo oposto.

c.t.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Presa.

Vejo olhos de gato.
Eu, como bom rato,
desacho e disparo pelas escadas.

Quiçá qualquer dia,
me ache e me rasgue,
com tuas garras afiadas.

c.t.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Desvio.

Hoje, passaste por mim.
Hoje, voltei a ver-te,
depois de algum tempo.
Estava lindo,
parecia leve,
o contrário de mim,
que tentando ser breve,
fingi calma e sorri.

Hoje, passaste por mim.
Estava lindo,
(Já disse isso?),
e como por feitiço,
não desgrudei os olhos de ti,
mas tu não sorriu,
e tentando ser natural,
fingiu que não me viu.

c.t.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Passarinho.

Te espantas quando digo:
"Te gosto,
me queres,
porém se a liberdade preferes,
voe."
Não te prenderei em gaiolas,
tampouco me prenderei a ti.
Imenso céu,
e tamanha felicidade desejo-te,
Colibri.

c.t.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Inspiração.

[Inspiração.]
De onde vem a minha?
Talvez escreva melhor quando estou sozinha.
Pensante,
sofrente,
ouvinte,
chorante,
calante diante do aperto na garganta e da lágrima que escorre,
permitindo que a palavra cante e encante no papel.
Talvez escreva melhor quando me sinto no céu.
Quando tenho felicidade,
quando me sinto inteira,
completa,
infinidade,
deixando a certeza do sentimento,
permitir que quem me leia me entenda,
sem nenhum tipo de desentendimento.
Talvez eu escreva melhor quando escrevo com o coração.
Quando estou cheia,
repleta,
completa,
de gratidão e retribuição.
Talvez eu escreva melhor quando estou neutra.
Sem estímulo,
sem razão,
sem nenhum tipo de emoção,
sem nexo,
perplexo,
sem nenhum tipo de conexão,
que dê sentido as palavras que escrevo.
Talvez escreva melhor quando bebo.
E os floreios somem,
assumo a forma inebriada,
bêbada,
dissimulada,
ardente,
quente,
pegando fogo,
sem ninguém ao meu dispor.
Talvez eu escreva melhor no dissabor.
No desagrado,
no estado crítico de alguém que não é amado,
nem correspondido,
com o coração partido,
com a alma sentindo dor.
Enfim,
talvez eu escreva melhor quando ela vem,
sem freio,
meio no desajeito,
tombando na minha frente,
pois ela vem de onde tem e quando se sente,
vem certeira,
vem inteira,
vem metade,
vem título,
vem começo,
vem parêntese,
vem síntese,
vem fim.
Vem fundo,
vem tudo,
gritando,
batendo,
precisando ser escrita,
vista,
ouvida,
precisando simplesmente existir.
Inspiração,
minha querida,
seja de qualquer jeito bem vinda,
pois poetisar é minha vida, sim.
Sem ti,
morro eu,
e toda a poesia oprimida dentro de mim.

c.t.

terça-feira, 31 de março de 2015

O tempo - Parte II.

O que acontece com o tempo,
quando o tempo não está?
Ter tempo é estar vivo,
ou é à vida que o tempo dá?
Existe tempo dentro do vácuo,
que é quando vida não há?
E se não há vida não há tempo,
pros mortos há tempo, será?
Será que o tempo pós mortem,
é parecido com o tempo de cá?
Contando do início dos tempos,
que idade o tempo terá?
Ser vivo é ter tempo,
ou é o tempo que à vida dá?
Tempo,
me dê um pouco mais de tempo,
para sobre o tempo ponderar.
(...)
Pondero... e zás!
Perco-me no tempo/espaço,
e vagando num looping anormal,
descubro que o tempo é atemporal.

c.t.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Maresia.

Balanço de mar,
energia,
da proa,
à popa,
polpa de vida,
quentura de sol,
sol do bom,
"pra ficar melhor,
só rolando um som...",
pra acalentar,
no vai e vem do mar,
sentindo o sal,
e o cheiro da brisa.
É maresia.
Combinação perfeita...
Mar e poesia.

c.t.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Ode à Indy.

Ela tem os cabelos longos,
iguais aos das sereias,
que paralizam com sua beleza.
Mas ela não te domina,
pelo contrário:
te solta,
te deixa livre,
e acredite você sempre volta,
rendido,
sorrindo,
bobo com seu encanto.
Ela vai consolar teu pranto,
não vai te deixar cair,
vai te animar,
te fazer não desistir,
vai ser fortaleza ao teu lado,
vai correr ao teu lado,
e vai estar onde for por você.
Ela vai te fazer entender,
que a vida é bela,
que todas as coisas valem a pena,
até as que a gente pensa que não,
e que como as folhas que caem no chão se transformam,
tudo se renova.
Ela gosta de bossa nova,
coisas simples,
brisa leve,
acelerado mesmo,
é só o solado do pé que ama o forró,
e dá um nó na mente de quem observa.
Ela tem um sorriso que emudece,
e é tão sincero que até parece irreal,
sério, ninguém nesse mundo tem um sorriso tão convidativo,
nem tão original.
Ela enxerga coisas em nós que nem nós mesmos conseguimos ver,
digo por experiência própria,
pois ela viu em mim coisas que nem eu mesma acreditava que tinha.
Ela em um tipo de "inocência adulta consciente", se é que você me entende...
Pra quem pensa que ela é boba,
muito se engana!
Ela tem aquele jeito bacana,
de dizer "Mais que banana!",
quando algo não dá certo.
É das frutas a mais doce.
É das jóias a mais preciosa.
É amiga, minha amiga,
nossa amiga,
amiga de quem souber enxergar,
a singularidade que ela tem.
Mas é certo que pra ela,
tudo se rende.
Ela é única!
Ela é a pedra mais rara!
Te amamos,
Indy(rara).
Indyara.

c.t.

terça-feira, 3 de março de 2015

Saudade.

Sim, sinto saudade. Muita saudade. Mas por opção e atitudes de algumas, tive que tirá-las da minha vida. Entenda: por mais que você ame alguém, se essa pessoa te magoa, você precisa afastá-la o mais rápido possível. É melhor ter um peito cheio de saudade do que um coração constantemente machucado com decepções.

c.t.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sobre (não) esperar.

Não espere.
Preste atenção, isso é muito sério:
não espere nada, de ninguém.
Se ame, se cuide e se baste,
é certo o que dizem por aí,
o resto realmente vem.
E vem melhor, por que é inesperado,
muito melhor, por que não foi planejado,
nem calculado em noites de extrema insônia.
O que tiver que ser analisado, que seja,
quanto ao resto, parcimônia.
Não perca o sono, não se abandone, não desespere.
Pondere,
vale a pena esquecer de si mesmo,
pra lembrar de quem sempre te esqueceu?
Apenas siga em frente, sempre em frente,
e lá na frente encontrará o que é por direito teu.

c.t.

domingo, 1 de março de 2015

Ensaio sobre a beleza.

Aprendi que tristeza,
não prejudica beleza.
Nem de fora e nem de dentro.
(E isso não quer dizer fingimento.)
Posso estar sofrendo ainda,
mas estou sofrendo linda!

c.t.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Prosa esperança.

Seu menino, vou te contar,
essa tal de esperança,
escolhe cada hora pra aparecer!
No último segundo,
que antecede o respiro profundo,
de quem quer vencer,
ou de quem não quer perder,
daquele que espera pela cura,
em agoniante caminhadura,
daquele que sonha,
daquele que realiza,
daquele que busca por qualquer coisa e acredita,
é aí que ela simplesmente acontece,
e florece,
no começo tímida, meio sem querer,
logo depois (coisa de um instante),
já era, toma conta de você.
E a danada vem cheia de sensações:
arrepios,
lágrimas e suspiros,
dedos cruzados,
olhos cerrados,
suor frio,
boca seca,
figa,
diga,
se não fosse ela,
a meter o pé na porta e fazer o pessimismo sair de fininho pela janela,
o que seria de nós, seu menino?
Simplesmente nos renderíamos à todas as pedras do caminho?
Valeria mesmo a pena continuar com essa andança?
Em um súbito desatino,
dos muitos que me causa essa vida sem destino,
mesmo com todos os contras,
seu menino, eu prefiro ter esperança.

c.t.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Raiou.

Através das frestas da cortina,
e pelas paredes da minha retina,
enxergo os primeiros vestígios,
de um sol que não me representa.
Ele tenta,
e parece estuprar-me com sua beleza estonteante,
e a forma das nuvens algodão-rosé,
que tem este tom de nome ridículo que acabei de criar,
de algum modo me faz lembrar você.

Janela indelicada,
favor calar os raios da manhã,
e trazer de volta o breu da noite,
que tal qual meus sentimentos vis,
a própria enxurrada da madrugada,
não foi capaz de lavar.
*Encolho-me na cama.*
Oração.
Soluçar.
Pai nosso que estás neste céu,
não deixe-me cair de novo em tua tentação,
e livrai-me do mal da tortura de ainda te amar.

c.t.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Euniverso.

Quando ele passava imponente em frente a retina do meu pensamento, me causava uma sensação de ligeiro desconforto que me remete ao tempo em que não fazia jus aos sentimentos que nutria por ele. E pelos tais, esperei pacientemente que ele os levasse em consideração nos seus cálculos (des)humanos de nivelamento e importância. Fiz dele um mundo colorido e verdadeiro dentro do meu próprio mundo negro e repleto de incertezas. E fugia para este lugar irreal que achava que tinha nas mãos (como uma caixa de presente) toda vez que algo em minha realidade me desagradava. Acabou, e na confusão do fim, tendo milhares de outras escolhas, também me acabei. Primeiro, perdida num combinado de esperança e medo, me rendendo aos caprichos dele e me tornando escrava das suas migalhas. Depois fiquei só, colhendo todas as flores secas que esperei que um dia ele regasse, com carinho. E me tornei nó, desses que arrancam impaciência de quem os pega assim, de surpresa, para desfazê-los. Respirando fundo, entre oms e outras preces, pedi que suturassem as feridas abertas da sua passagem ínfima, porém demasiado intensa, neste meu conjunto desenfreado de atropelos de bem-me-quer. Me dei por mim dentre os destroços de uma mulher que um dia, num passado que pouco me recordo, foi substrato de si mesma, pois antes dele e de tantos outros, eu me bastava e me supria. E num súbito clarão de entendimento pensei, porquê não retornar? Resgatando esse sentimento perdido, lutei feito uma louca pra me desfazer da escravidão na qual ele fazia uma considerável questão (e prazer) em me manter, sempre com um sorriso vagabundo e um olhar penetrante de satisfação. Contrariando todas as expectativas (principalmente as dele), superei, voltei a me amar e a me alimentar de mim mesma com todas as forças, inverti as prioridades, passei a enxergar a vida de um modo diferente do qual o cabresto dele me forçava a limitar. Hoje em dia, quando ele passa (insistentemente e inutilmente) em frente a retina do meu pensamento, no segundo seguinte realizo que tenho nas mãos a mesma caixa de presente só que agora contendo um vasto mundo colorido, cheio de tudo aquilo que sempre sonhei pra mim e que é por si só suficientemente capaz de me fazer extremamente feliz, que se chama: eu mesma.

c.t.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Intuição.

Avisto um fim,
trágico ou nem tanto assim?
Previsão de decepção?
(Cuidado, não deixem quebrar seu coração!)
Arrepia.
Incentiva.
Precipita.
Incita.
Incapacita.
Confie, acredite,
são rasgões a facão no destino,
estas vias, de dar certo ou não.
Opinião sentida,
de uma certeza advinda de um sentimento emoção.
Certeira idéia,
pairando na mente,
que no corpo se sente,
intermitentemente?
É intuição.

c.t.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Amor de ferro velho.

Meu amor se parece com algo quebrado,
que precisa com urgência ser resetado,
remendado,
ou refeito.
Socorro!
Meu amor está com defeito!
Já não era perfeito,
e talvez não se regenere de nenhum jeito.
(Talvez nem valha a pena o conserto...)

c.t.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Pódio.

Não tem mágoa,
nem tem lágrima,
o que ficou foi só lástima,
que pena,
eu tinha muito pra dar,
mas não são todos que sabem enxergar,
e aproveitar,
sentimento verdadeiro que alguns tem pra doar.
E talvez eu já soubesse,
que ia dar em sacanagem,
mas a teimosia é pertinente,
e sempre falta coragem,
de se valorizar,
e se pôr em primeiro lugar,
ser mais dura,
ser mais firme,
com quem só quer magoar,
embaralhando a mente,
mentindo que nem sente,
acabando com um futuro,
que podia ser da gente,
mas acabou em memória,
(e que história!)
agora é seguir em frente.
Fé na vida e na bondade,
tenho fé que a humanidade,
ainda será melhor,
fé nos sonhos,
fé no amor,
e fé na divindade maior.
Não tô aqui reclamando,
tampouco me comparando,
com o criador do mundo,
mas te digo com clareza,
e tenha toda a certeza,
somos Ele e eu em primeiro,
você que fique em segundo.

c.t.