"Não mereço! Não quero mais isso pra mim!" Repetia em pensamento, com a cara mais uma vez enfiada no travesseiro, mais uma vez aos prantos, sozinha, mais uma vez com o coração no estômago, na garganta, na boca, fora do corpo, esmagado nas mãos de alguém. Dentro de mim, era onde ele deveria estar. Dentro de mim, deveria morar a força e a vontade de me ver melhor, de me sentir melhor, apesar de tudo.
No meio desse mar de lágrimas penso no que me disseram e no que me fizeram acreditar e consigo perceber o quanto era frágil. Ou talvez fragilidade fosse o nome da sede insaciável que tinha de que alguém ficasse, simplesmente por desejar ficar. Mas enfim, quem nunca? E depois de implantarem em mim o desejo e a vontade de ser preenchida, a solidão não tinha mais o mesmo gosto, nem o mesmo brilho de antes. Doía, machucava a idéia de que novamente estava sozinha não por opção, mas por abandono. E que mais uma vez, eu que me acostumasse e me virasse com isso. É que eu sou "a melhor pessoa do mundo, a que merece todo o carinho, todo o cuidado, toda a atenção, tudo o que há de bom e todo o amor do mundo." Engraçado, quem me diz isso é sempre quem eu quero que diga, mas nunca quem vai fazer isso por mim. Enfim, continuando...
Fechar ciclos por si só tem lá suas vantagens. Sem ajuda, a gente cresce mais, se entende melhor, se cura e se recupera mais rápido dessas agonias. Chega uma hora em que as coisas não machucam tanto. E não significa que a gente não chore, nem sofra, mas tudo fica diferente quando a gente entende que certas coisas não são nossa culpa. Que não somos loucos e nem entendemos nenhuma linha como não deveria ser entendida. Que tudo aconteceu exatamente como deveria acontecer e que nós, no mais puro de nossos íntimos, fomos quem somos e fizemos o que deveria ser feito. (Fui o melhor que poderia ser. Sem-sombra-de-dúvida.)
Inicio este novo ano um pouco mais cética e fria porém um pouco mais certa das coisas que não quero. Não quero mais sofrer! Nem de dor de dente, nem de dor de coração. A paz de espírito que me toma nesse momento confirmando todas as coisas que sinto e almejo, nada e ninguém podem pagar. Sendo assim, entrego meus planos ao universo e espero que alguém lá em cima resolva atender meu pedido. Acho até que já sei quem. "Adeus, 2015. A Deus, 2016."
c.t.