sábado, 9 de janeiro de 2016

A colecionadora de potes.

O quarto,
escuro.
A estante,
não era tão grande,
nem tão nova.
Era gasta,
corroída pelo passar do tempo.
Em suas prateleiras,
tortas,
a ponto de desmontar,
havia muita poeira.
E em cima dela, potes.
De todos os tamanhos.
Hermeticamente lacrados.
Lacrados para que nada escapasse.
Para que nada,
absolutamente nada,
viesse à tona,
sem ser desejado.
Vedados,
para caírem no esquecimento.
Conteúdo?
Sentimento.
Pra não sofrer.
Pra não doer.
A moça,
guardava suas dores e dúvidas,
em potinhos.
Seguia a vida,
colecionando potes,
pelos caminhos.

c.t.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Na trave.

Iminente gol,
tensa arquibancada.
(Nada se ouve.)
O pé mira.
Sem mira,
não cabe,
bate na trave.
E a mão na testa,
já virou rotina.

Deus meu, até quando,
este senta e levanta,
e o grito entalado na garganta?

c.t.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Escolha como morrer.

Tem gente que inunda aos poucos,
tem gente que é enxurrada.
Das duas, uma:
Ou te afogam lentamente,
ou saem pela porta dos fundos,
levando tudo o que há no caminho.

c.t.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Happy New Year.

"Não mereço! Não quero mais isso pra mim!" Repetia em pensamento, com a cara mais uma vez enfiada no travesseiro, mais uma vez aos prantos, sozinha, mais uma vez com o coração no estômago, na garganta, na boca, fora do corpo, esmagado nas mãos de alguém. Dentro de mim, era onde ele deveria estar. Dentro de mim, deveria morar a força e a vontade de me ver melhor, de me sentir melhor, apesar de tudo.

No meio desse mar de lágrimas penso no que me disseram e no que me fizeram acreditar e consigo perceber o quanto era frágil. Ou talvez fragilidade fosse o nome da sede insaciável que tinha de que alguém ficasse, simplesmente por desejar ficar. Mas enfim, quem nunca? E depois de implantarem em mim o desejo e a vontade de ser preenchida, a solidão não tinha mais o mesmo gosto, nem o mesmo brilho de antes. Doía, machucava a idéia de que novamente estava sozinha não por opção, mas por abandono. E que mais uma vez, eu que me acostumasse e me virasse com isso. É que eu sou "a melhor pessoa do mundo, a que merece todo o carinho, todo o cuidado, toda a atenção, tudo o que há de bom e todo o amor do mundo." Engraçado, quem me diz isso é sempre quem eu quero que diga, mas nunca quem vai fazer isso por mim. Enfim, continuando...

Fechar ciclos por si só tem lá suas vantagens. Sem ajuda, a gente cresce mais, se entende melhor, se cura e se recupera mais rápido dessas agonias. Chega uma hora em que as coisas não machucam tanto. E não significa que a gente não chore, nem sofra, mas tudo fica diferente quando a gente entende que certas coisas não são nossa culpa. Que não somos loucos e nem entendemos nenhuma linha como não deveria ser entendida. Que tudo aconteceu exatamente como deveria acontecer e que nós, no mais puro de nossos íntimos, fomos quem somos e fizemos o que deveria ser feito. (Fui o melhor que poderia ser. Sem-sombra-de-dúvida.)

Inicio este novo ano um pouco mais cética e fria porém um pouco mais certa das coisas que não quero. Não quero mais sofrer! Nem de dor de dente, nem de dor de coração. A paz de espírito que me toma nesse momento confirmando todas as coisas que sinto e almejo, nada e ninguém podem pagar. Sendo assim, entrego meus planos ao universo e espero que alguém lá em cima resolva atender meu pedido. Acho até que já sei quem. "Adeus, 2015. A Deus, 2016."

c.t.