segunda-feira, 13 de julho de 2015

Evite transtornos.

A rotina diária daqueles que esperam não é fácil. Um café na padaria ou um simples recado de bom dia, pode ser torturante. Reciprocidade não é crime e na prática ninguém deveria se sentir tão estranho ao retribuir um sorriso. Custa muito pouco fazer outra pessoa se sentir bem e custa muito caro ser uma mágoa no coração de alguém. Era do tipo que me considerava a mais sensata das criaturas, talvez a mais bondosa, mas com toda a certeza a que pensava que jamais, ninguém, diante de tanta amorosidade, machucaria. Sendo assim, me sinto completamente cansada de disfarçar minhas feridas com band-aids cor da pele. Um dia a gente cansa. De esperar reciprocidades e de doar qualquer coisa. Declaro inviável qualquer tipo de retorno. Por favor, evite transtornos, não espere mais nada de mim.

c.t.

sábado, 11 de julho de 2015

Deixa pra lá.

Por quê as pessoas se esquecem das pessoas? Por quê as pessoas se esquecem de mim? Sempre achei o cúmulo esquecer de pessoas importantes. Gente que esteve comigo em diversas situações e me ajudaram de tantas formas, que me fizeram sorrir, mexeram com meu coração e despertaram meus sentimentos. Me perguntava: Deus, como conseguem não se lembrar mais de mim? Não me atrevia a explicar e não me imaginava sem. Sim, eu era um poço de egoísmo, não conseguia me desligar sentimentalmente das pessoas que amava. E me entristecia profundamente quando tentava, insistia, e como resposta recebia somente silêncio e indiferença. Realmente, não devo ter feito a minima diferença. Aceitei coisas terríveis quando tinha todo direito de negar e me neguei diversas vezes quando deveria ter pensado somente em mim. Suportei erros, perdoei maldades, me doei, perdi infindas noites, estive ao lado. E mesmo assim, não foi o suficiente. Não que eu cobrasse qualquer retribuição, mas descobrir que esforço algum vale a alegria de ser marcada naquela postagem que diz "Penso sempre em você!", incomoda. Nesse instante, comecei a entender mais claramente as coisas. Nesse instante, passei a perceber que nem todo mundo se importa como me importei, pensa como eu pensei ou guarda lembranças boas como eu guardei. Nesse instante, a reza da minha vida passou a ser "Deixa pra lá!". Fulana se afastou de mim sem motivo... "Ah, deixa pra lá!" Olha, faz questão de ver todo mundo e nem liga pra mim... "Ah, deixa pra lá." Que sujeito mais sacana... "Ah, deixa pra lá." Deixa pra lá. Deixa pra lá. Deixa pra lá. Olha, esse "lá" tem tanta coisa! Tem amizade, tem maltrato sem razão, acontecimento sem noção, desprezo, lágrima e muito, muito desgosto. Ainda magoa quando lembro das faces de tantos que nem se importam se existo e que claramente não fazem a mínima questão de mim. Mas, enfim, como diz a minha reza, vou deixando pra lá. Já aprendi a esquecer quem me esqueceu. Já aprendi que tudo o que se pode deixar pra lá, não vale a pena.

c.t.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Queda-livre.

Sou muitas, sou tantas,
mas entre todas, sou o abismo,
entre o pior e o melhor de mim mesma.

c.t.

sábado, 4 de julho de 2015

Passageiro.

Trilhei infindos caminhos,
perdi-me em becos estreitos,
em vias incertas,
talhei desvios quase perfeitos.
De janelas abertas,
vento despenteando os cabelos,
a mão que guia é distinta.
Sou passageira de estórias alheias,
bem formadas,
até bem vindas,
enraizadas,
e não findas.
Atropelei destinos,
anelando fossem meus,
não sendo assim,
desvaneceram diante de mim,
sem ao menos dizer adeus.
Estava na via errada.
Descobri que não há estrada.
E não existe nada.
Nada que penso,
nada que quero.
Nada mais espero.

c.t.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Invisível.

Ando sentindo falta.
Falta de atenção,
de cuidado,
de carinho mútuo.
Ando sentindo falta de tumultuo,
de gente que more ao lado,
na primeira porta a esquerda,
na primeira casa virando a esquina,
ao alcance das mãos,
dos olhos,
do coração e das lágrimas.
Ando sentindo falta da presença.
Da conversa,
do companheirismo,
ando sentindo falta de algum sorriso,
de alguma aventura na selva,
deitar na grama,
no colo,
ou na cama,
de falar de cores,
e sentir tremores.
Ando sentindo falta de coisas que não são minhas,
e que talvez nunca serão.
Ando sentindo falta de coisas que quero que sejam minhas,
e que talvez nunca serão.

c.t.