sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Prosa esperança.

Seu menino, vou te contar,
essa tal de esperança,
escolhe cada hora pra aparecer!
No último segundo,
que antecede o respiro profundo,
de quem quer vencer,
ou de quem não quer perder,
daquele que espera pela cura,
em agoniante caminhadura,
daquele que sonha,
daquele que realiza,
daquele que busca por qualquer coisa e acredita,
é aí que ela simplesmente acontece,
e florece,
no começo tímida, meio sem querer,
logo depois (coisa de um instante),
já era, toma conta de você.
E a danada vem cheia de sensações:
arrepios,
lágrimas e suspiros,
dedos cruzados,
olhos cerrados,
suor frio,
boca seca,
figa,
diga,
se não fosse ela,
a meter o pé na porta e fazer o pessimismo sair de fininho pela janela,
o que seria de nós, seu menino?
Simplesmente nos renderíamos à todas as pedras do caminho?
Valeria mesmo a pena continuar com essa andança?
Em um súbito desatino,
dos muitos que me causa essa vida sem destino,
mesmo com todos os contras,
seu menino, eu prefiro ter esperança.

c.t.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Raiou.

Através das frestas da cortina,
e pelas paredes da minha retina,
enxergo os primeiros vestígios,
de um sol que não me representa.
Ele tenta,
e parece estuprar-me com sua beleza estonteante,
e a forma das nuvens algodão-rosé,
que tem este tom de nome ridículo que acabei de criar,
de algum modo me faz lembrar você.

Janela indelicada,
favor calar os raios da manhã,
e trazer de volta o breu da noite,
que tal qual meus sentimentos vis,
a própria enxurrada da madrugada,
não foi capaz de lavar.
*Encolho-me na cama.*
Oração.
Soluçar.
Pai nosso que estás neste céu,
não deixe-me cair de novo em tua tentação,
e livrai-me do mal da tortura de ainda te amar.

c.t.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Euniverso.

Quando ele passava imponente em frente a retina do meu pensamento, me causava uma sensação de ligeiro desconforto que me remete ao tempo em que não fazia jus aos sentimentos que nutria por ele. E pelos tais, esperei pacientemente que ele os levasse em consideração nos seus cálculos (des)humanos de nivelamento e importância. Fiz dele um mundo colorido e verdadeiro dentro do meu próprio mundo negro e repleto de incertezas. E fugia para este lugar irreal que achava que tinha nas mãos (como uma caixa de presente) toda vez que algo em minha realidade me desagradava. Acabou, e na confusão do fim, tendo milhares de outras escolhas, também me acabei. Primeiro, perdida num combinado de esperança e medo, me rendendo aos caprichos dele e me tornando escrava das suas migalhas. Depois fiquei só, colhendo todas as flores secas que esperei que um dia ele regasse, com carinho. E me tornei nó, desses que arrancam impaciência de quem os pega assim, de surpresa, para desfazê-los. Respirando fundo, entre oms e outras preces, pedi que suturassem as feridas abertas da sua passagem ínfima, porém demasiado intensa, neste meu conjunto desenfreado de atropelos de bem-me-quer. Me dei por mim dentre os destroços de uma mulher que um dia, num passado que pouco me recordo, foi substrato de si mesma, pois antes dele e de tantos outros, eu me bastava e me supria. E num súbito clarão de entendimento pensei, porquê não retornar? Resgatando esse sentimento perdido, lutei feito uma louca pra me desfazer da escravidão na qual ele fazia uma considerável questão (e prazer) em me manter, sempre com um sorriso vagabundo e um olhar penetrante de satisfação. Contrariando todas as expectativas (principalmente as dele), superei, voltei a me amar e a me alimentar de mim mesma com todas as forças, inverti as prioridades, passei a enxergar a vida de um modo diferente do qual o cabresto dele me forçava a limitar. Hoje em dia, quando ele passa (insistentemente e inutilmente) em frente a retina do meu pensamento, no segundo seguinte realizo que tenho nas mãos a mesma caixa de presente só que agora contendo um vasto mundo colorido, cheio de tudo aquilo que sempre sonhei pra mim e que é por si só suficientemente capaz de me fazer extremamente feliz, que se chama: eu mesma.

c.t.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Intuição.

Avisto um fim,
trágico ou nem tanto assim?
Previsão de decepção?
(Cuidado, não deixem quebrar seu coração!)
Arrepia.
Incentiva.
Precipita.
Incita.
Incapacita.
Confie, acredite,
são rasgões a facão no destino,
estas vias, de dar certo ou não.
Opinião sentida,
de uma certeza advinda de um sentimento emoção.
Certeira idéia,
pairando na mente,
que no corpo se sente,
intermitentemente?
É intuição.

c.t.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Amor de ferro velho.

Meu amor se parece com algo quebrado,
que precisa com urgência ser resetado,
remendado,
ou refeito.
Socorro!
Meu amor está com defeito!
Já não era perfeito,
e talvez não se regenere de nenhum jeito.
(Talvez nem valha a pena o conserto...)

c.t.