segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ao presente desavisado.

Depois de muitos tombos, murros e erros, passei a não escrever de caneta qualquer palavra solta. Nem me encantar demais com qualquer sorriso bobo. Tampouco acreditar em qualquer elogio barato. Menos ainda ver diamante em qualquer pedaço de vidro. Estou levando a vida mais a seco e mais a sério. Tipo, conte e prove. Faça e mostre. Jure e cumpra. Confesso sem nenhuma modéstia que me tornei muito boa nesse negócio. Estou assim, vivendo com um olho aberto e o outro também, aprendendo a avaliar com exatidão o que me cerca. Mas não pense que é por pressa. Pelo contrário: tenho todo o tempo do mundo, mas nem por isso preciso desperdiçá-lo. Que se aproveite, que seja intenso, que seja breve, mas que seja verdadeiro. O que me incomoda de verdade não é o fim, mas a certeza de que tudo não passou de fingimento e que nada foi sentido, nem bem quisto. Se for este o caso, peço que não estranhe o sumiço (até porquê não vou evaporar, continuarei aqui) mas não pago pra ver mais nada. Se achar que tem cacife pra continuar e se achar que eu valho a pena, ótimo, se não, saia correndo pela porta. Estarei fazendo o mesmo. Dando chance pro que é de verdade e abandonando sem dor a sala das coisas que não posso, não quero, tampouco pretendo ter.

c.t.

domingo, 23 de agosto de 2015

(Des)encanamento.

É que essa história de "Fui magoado e me fechei pro mundo!" nunca me desceu. Pronto, falei. Tá, você decidiu que vai jogar lama em todo mundo só porque já foi injustiçado algum dia. Agora, me responda: quem não tem nada a ver com a tua mágoa, precisa pagar também? Tudo bem, não espere, não se iluda e não se doa. Mas quando amor lhe for dado, por favor, ame. Quando cuidado lhe for dispensado, pelo amor de Deus, cuide. Vale a pena viver cheio de buracos que só vazam ódio e deixam ainda mais oca essa vida que já é escassa de sentimentos bons? Seja melhor, seja maior e (des)encane. Saia do cano, transborde amor!

c.t.