Depois de muitos tombos, murros e erros, passei a não escrever de caneta qualquer palavra solta. Nem me encantar demais com qualquer sorriso bobo. Tampouco acreditar em qualquer elogio barato. Menos ainda ver diamante em qualquer pedaço de vidro. Estou levando a vida mais a seco e mais a sério. Tipo, conte e prove. Faça e mostre. Jure e cumpra. Confesso sem nenhuma modéstia que me tornei muito boa nesse negócio. Estou assim, vivendo com um olho aberto e o outro também, aprendendo a avaliar com exatidão o que me cerca. Mas não pense que é por pressa. Pelo contrário: tenho todo o tempo do mundo, mas nem por isso preciso desperdiçá-lo. Que se aproveite, que seja intenso, que seja breve, mas que seja verdadeiro. O que me incomoda de verdade não é o fim, mas a certeza de que tudo não passou de fingimento e que nada foi sentido, nem bem quisto. Se for este o caso, peço que não estranhe o sumiço (até porquê não vou evaporar, continuarei aqui) mas não pago pra ver mais nada. Se achar que tem cacife pra continuar e se achar que eu valho a pena, ótimo, se não, saia correndo pela porta. Estarei fazendo o mesmo. Dando chance pro que é de verdade e abandonando sem dor a sala das coisas que não posso, não quero, tampouco pretendo ter.
c.t.